Curitiba Não deixar o espírito de Natal morrer. É com essa idéia fixa na cabeça e muita disposição que, há 29 anos, Paulo César Bonfim, 43 anos, caracteriza-se de Papai Noel e percorre hospitais, creches, escolas e outras instituições de Curitiba e região metropolitana fazendo a alegria da criançada, num trabalho voluntário. Nem a crise financeira, que este ano reduziu pela metade o número de brinquedos que normalmente consegue arrecadar, desanimou o ''bom velhinho''.
A maratona do desempregado começa em novembro, quando inicia os contatos com os possíveis doadores, andando de loja em loja. Segundo Paulo César, são pequenos comerciantes e empresários que colaboram doando os presentes. Muitos donativos são enviados diretamente para o Hospital Evangélico, onde também trabalha como voluntário. O volume este ano foi de 453 brinquedos.
A menos de uma semana do Natal, Paulo César tratou de distribuir os presentes para crianças que estavam internadas no Hospital de Clínicas (HC) e no Hospital Evangélico, além das crianças da creche da Associação Metodista. Mesmo com toda experiência acumulada ao longo de quase três décadas, o Papai Noel voluntário revela que ainda se emociona ao encontrar as crianças e saber delas o que esperam no Natal. O que mais abalou Paulo César este ano foi o pedido de uma criança que estava internada no HC. Em vez de brinquedo, a menina pediu uma cesta básica para a família.
Paulo César foi recebido com muita festa pelas crianças e adolescentes da creche Nossa Senhora de Salete, no Jardim Social, em Curitiba. Lá, o Papai Noel contou com a ajuda da Associação de Caridade Santa Rita de Cássia para fazer a distribuição dos presentes. Uma das oficinas mantidas pela entidade providenciou a montagem do kit, contendo um brinquedo, sapato, roupa e um pacote de balas, que foi entregue para cada criança.
Paulo César começou a bancar o Papai Noel meio por acaso, quando foi convidado a substituir o personagem em um shopping de Curitiba. Gostou tanto da idéia que não abandonou mais a fantasia e decidiu se profissionalizar, frequentando um curso para papais-noéis em São Paulo, durante dois anos.
Nas visitas como Papai Noel às instituições assistenciais, Paulo César diz que não cobra nada. Já na noite de Natal, quem quiser contratá-lo terá que desembolsar R$ 90,00 para uma visita de meia hora. É com o dinheiro que ganha nestas festas que ele se mantém no restante do ano. As outras atividades que desenvolve junto aos hospitais Evangélico e Psiquiátrico Nossa Senhora da Luz também são voluntárias.
Este ano, Paulo César teve que apelar para uma barriga artificial para se caracterizar de Papai Noel. Ele está 124 quilos mais magro do que no Natal passado, quando pesava 200 quilos. O Papai Noel, que sofria de obesidade mórbida, passou por uma cirurgia de redução do estômago no início do ano.

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