Desde 1960, TFP defende idéias conservadoras
Uma visão mais conservadora da família é defendida desde 1960 pela Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade (TFP). Os preceitos desta associação civil afirmam que a verdadeira família deve ser indissolúvel, se perpetuar por gerações e os parentes, mesmo distantes, devem sempre ser solidários entre si.
O casamento deve ser monogâmico e prover muitos filhos para que a família seja numerosa. A relação sexual só é consentida para fins de procriação e a mulher não é aceita como membro da associação para que não seja exposta à sociedade.
Para a TFP, o conceito da família está vinculado à idéia de propriedade, que deve ser privada e familiar. ''Propriedade e domínio da coisa por uma família, para o bem de uma família e condicionada ao bem comum'', conforme afirmava o fundador da sociedade, o pensador e líder católico Plínio Corrêa de Oliveira.
Embora não seja um partido, a TFP transformou-se em um grupo político de extrema-direita que tem como base uma ideologia monarquista, anticomunista, antisocialista e contrária às mudanças modernizadoras da Igreja Católica.
Em defesa da instituição familiar, a sociedade realizou campanhas de mobilização popular para evitar a introdução do divórcio na legislação brasileira. Um exemplo foi o protesto realizado em 1966, quando o governo do marechal Castelo Branco encaminhou ao Congresso um projeto de Código Civil de cunho divorcista. Naquele ano, a associação reuniu um milhão de assinaturas contra o projeto de lei, que acabou sendo reprovado pelo Congresso, mesmo com a bênção da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), órgão máximo do episcopado brasileiro.
Em 1975, quando o divorcismo voltou a ser discutido pela sociedade, a TFP continuou a promover campanhas nas ruas e mais uma vez evitou a implantação do divórcio, que só foi aprovado pelo Congresso dois anos mais tarde.
Segundo Paulo Corrêa de Brito, diretor de imprensa da TFP, ''a instituição tem batalhado contra a imoralidade na TV, combatendo programas e novelas que visam, de modo explícito, extinguir ou debilitar fortemente a instituição familiar em nosso País'', diz.
''A nossa sociedade vê com enorme satisfação as mães que têm preferido não trabalhar fora do lar, a fim de educar e formar adequadamente seus filhos. E também os pais que estão dedicando mais tempo à vida de família e menos espaço para o trabalho e à própria carreira'', afirma Brito, assinalando que esta tendência se verifica em outros países e constitui um retorno à concepção tradicional de família cristã, na qual o carinho da mãe para com os filhos deve ser completado pela sábia e equilibrada severidade do pai.





