Os brasileiros não sabem lidar com o dinheiro. Anos de inflação alta, baixos salários e altos índices de desemprego sempre impuseram à população um comportamento de restrição ao consumo. Na última década, com o crescimento da economia criou-se um novo cenário. Preços estabilizados, juntamente com a manutenção do emprego e da renda, crédito farto e uma nova política baseada no estímulo ao consumo, auxiliaram na sustentação do crescimento econômico. No entanto, também foi gerado um outro efeito colateral: dívidas acumuladas por descontrole financeiro.
Pesquisa divulgada no final da semana passada pela Boa Vista Serviços, administradora do Serviço Central de Proteção ao Crédito, aponta que o descontrole financeiro cresceu quatro pontos percentuais no segundo trimestre do ano e passou a representar 28% dos casos de inadimplência dos consumidores. O desemprego continua no topo do ranking, com índice de 30%. Em terceiro vem o empréstimo a terceiros, com 10%.
O crescimento da inadimplência deve ser fator de preocupação para a cadeia produtiva. Projeções indicam para um segundo semestre de dificuldades, ainda afetado pela crise econômica mundial. Além disso, o crescimento da inflação, o aumento da Taxa Selic (a taxa de juros básica) e das taxas de desemprego ajudam a compor o cenário não muito positivo.
Certamente o governo deverá atuar a partir de medidas que estimulem a economia, como também já vem sendo feito. No entanto, o que é perceptível são iniciativas com impacto de curto prazo, que não visam o crescimento sustentável.
Durante esse período, seria desejável se a população recebesse lições de educação financeira. Deve ser um trabalho incansável e desenvolvido em conjunto por governo, iniciativa privada e instituições bancárias. Todos serão beneficiados com consumidores conscientes, com capacidade para honrar suas dívidas. O consumo cresceria de forma muito mais sustentável a partir da educação financeira dos brasileiros.

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