Preocupada com a contínua alta de preços e com o prejuízo que uma volta da inflação representaria neste momento de pré-campanha eleitoral, a presidente Dilma Rousseff anunciou, no último dia 8, a isenção de impostos federais sobre os produtos que formam a cesta básica. A medida mostra que o ‘’velho fantasma da inflação’’ assusta (e muito) a equipe econômica do Palácio do Planalto. Há seis meses, antes dos preços dos alimentos e serviços começarem uma escalada constante, a presidente havia vetado uma emenda apresentada pelos partidos de oposição que contemplava a desoneração dos itens da cesta básica.
O governo federal vai abrir mão de R$ 5,5 bilhões em receitas já neste ano, segundo a equipe econômica do Planalto. Há informações que o corte dos impostos seria anunciado no feriado de 1º de maio, Dia do Trabalho, antecipado para não deixar que os preços fiquem descontrolados.
Uma semana depois do anúncio, o brasileiro ainda não percebeu alterações no preços em consequência do anúncio de Dilma. Mesmo após o Ministro da Fazenda, Guido Mantega, ter cobrado de representantes do setor de supermercados e comércio varejista o repasse imediato ao consumidor das desonerações, pouca coisa mudou. Pelos cálculos do Ministério da Fazenda, o corte dos tributos representaria uma redução de pelo menos 9,25% no preço das carnes, do café, da manteiga, do óleo de cozinha e de 12,5% na pasta de dentes e sabonetes, esses dois últimos entraram agora na cesta básica, juntamente com papel higiênico.
Pesquisas realizadas por veículos de comunicação nos dois últimos dias não revelaram barateamento significativo dos 16 produtos que compõem a cesta. Alguns estabelecimentos fixaram cartazes em suas portas informando que estão ‘’trabalhando’’ para baratear o preço dos itens. É compreensível que os descontos sejam aplicados aos poucos, pois envolve estoques e negociação com fornecedores. Mas, a medida não pode demorar para ser aplicada, caso contrário, a medida não surtirá o efeito desejado. O desconto dos impostos dependerá de cada comerciante e caberá ao consumidor pesquisar, fiscalizar e comprar nos estabelecimentos que realmente se comprometeram com a redução da inflação.

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