Desconforto geral
Como explicar o apagão que atingiu metade do País na última segunda-feira? Quase 24 horas depois do problema, técnicos do Ministério das Minas e Energias ainda tentavam justificar o blecaute que afetou Distrito Federal, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Santa Catarina.
O apagão foi ordenado pelo Operador Nacional do Sistema (ONS) às 15 horas e a energia foi sendo restabelecida gradativamente até as 16 horas. O elevado nível de consumo de energia devido ao calor intenso seria a principal causa. A demanda teria sobrecarregado o sistema, que precisou ser desligado para evitar um apagão de maiores proporções. A ONS é o órgão responsável pelo controle da transmissão de energia no Brasil.
Segundo o Operador, mesmo com folga de geração no Sistema Interligado Nacional (SIN), restrições na transferência de energia das regiões Norte e Nordeste para o Sudeste, aliadas à elevação da demanda no horário de pico, provocaram a redução na frequência elétrica. No Paraná, cerca de 300 mil domicílios ficaram sem luz. Ao todo, foram 88 localidades afetadas 30 na região Leste, 15 no Oeste, 19 em cada região no Norte e Noroeste e cinco no Centro-Sul.
A interrupção no fornecimento de energia trouxe prejuízo para empresários e comerciantes que viram seus produtos estragarem por conta do forte calor. Também provocou a queda das ações das companhias de energia na Bolsa de Valores de São Paulo. No metrô de São Paulo, passageiros chegaram a ficar presos 50 minutos dentro de um trem com o ar-condicionado desligado.
A oposição cobra explicações da presidente Dilma Rousseff (PT) e já pensa em convocar o ministro das Minas e Energias, Eduardo Braga, para prestar esclarecimentos aos parlamentares. E o brasileiro, que está pagando mais caro pela energia elétrica, poderá ter que se acostumar a conviver com racionamento de luz, além do racionamento de água que acontece em algumas cidades de São Paulo. Lembrando que o Brasil se encontra em pleno horário de verão, época em que normalmente se economiza energia. O país também vive o período de férias escolares e nem está com a sua produção industrial a todo vapor. O blecaute de segunda-feira vem comprovar (mais uma vez) que o pacote de infraestrutura nacional é um dos maiores obstáculos para o crescimento do País.





