A qualquer momento e de qualquer ponto em que haja atividade pública podem surgir denúncias de corrupção, e tão frequentemente isso ocorre que os fatos novos vão encobrindo os anteriores e a população acaba até esquecendo-os. Basta abrir os jornais e assistir aos noticiários do rádio e da televisão, no dia-a-dia, para constatar isso. (A televisão, infelizamente, ameniza muito para não comprometer o governo). Anteontem leu-se que na próxima semana o presidente da CPI dos Correios entregará ao Ministério Público um dossiê novo de 50 assessores parlamentares que estiveram no Banco Rural, em Brasília, onde era distribuída a verba do mensalão, e que já há mais de 100 indiciados nesse esquema e no total 500 acusados. Uma lista infindável, que vai crescendo a cada dia. O ex-ministro Antonio Palocci também figurava nas manchetes policiais, anteontem, porque a Polícia Civil o aponta em quatro irregularidades do seu tempo de prefeito de Ribeirão Preto. E, nesse campo minado, os pronunciamentos dos seus defensores acontecem, com a repetição dos jargões conhecidos, como o de que Palocci está sendo vítima de perseguição política em ano eleitoral. Tudo é abribuído a obra das oposições o que nunca ocorre com os honestos. Deputados paranaenses também figuraram em destaque no noticiário das ilicitudes. Foi o caso do deputado estadual Nereu Moura, do ex-deputado Luiz Cláudio Romanelli (ambos do PMDB) e outras três pessoas, todos acusados de formação de quadrilha e peculato, envolvendo dinheiro público, conforme denúncia do Ministério Público Federal. Dias atrás foi a notícia de policiais civis participando de quadrilha que clonava cartões de crédito e dava cobertura ao bando, e das prisões de destacados agentes do Instituto de Criminalística do Paraná em Cascavel e Guarapuava, acusados de ''esquentar'' documentos de automóveis e caminhões com chassis adulterados. Políticos que deveriam ser os baluartes da moralidade pública e policiais com a função de proteger a população convertem-se em delinquentes. Isto coloca os cidadãos de sobreaviso e robustece a descrença acerca de tudo o que contenha gente da vida pública. Desde vereadores até a figura do governante máximo da República, acusações correm soltas envolvendo servidores de todos os Poderes e de todas as hierarquias. Esse rótulo negativo acaba ofuscando todos os serviços públicos, mesmo onde não haja culpados. A história da administração pública brasileira é rica em desmandos de toda ordem e em roubalheiras, o que gerou um nojo generalizado dos cidadãos pelos homens públicos. É uma justificada reação, mas gerando exemplos maléficos, porque os contribuintes passaram a pagar com grande revolta os seus impostos, ou a sonegar, sabedores de que grande parte desse dinheiro é destinado à farra dos governantes.

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