Descaso com veículos prejudicando saúde domiciliar
É inadmissível que um serviço municipal de saúde com o Sistema de Internação Domiciliar, em Londrina, esteja com quase toda a frota de veículos no conserto, e há seis meses. O secretário de Gestão Pública, Jack Dias, afirmou que eram apenas três os carros com problemas, e que um já foi consertado, mas a repórter deste Jornal, Vanessa Navarro, contou 19 veículos da Secretaria Municipal de Saúde na oficina, e que só o Sistema Domiciliar tem sete ali. Num serviço para o qual a locomoção é vital, já que é preciso ir até os pacientes que estão acamados, cerca de 30 profissionais disputam dois carros restantes - na verdade ''um e meio'', porque um deles ''já está capengando'', no dizer do coordenador dessa equipe.
Os carros estão há meio ano nas oficinas da Prefeitura. Tempo demais para um setor de saúde pública, e isto demonstra irresponsabilidade. Como a verdade sempre aparece, graças às denúncias e reportagens como esta da FOLHA, os próprios burocratas ficam às vezes informados das próprias negligências, como a de que não são apenas dois os veículos em reparos mas aquela quantidade revelada. Contra fatos não há argumentos, por isso os jornalistas - refletindo o que pensa a opinião pública - aprenderam a desconfiar, a priori, de certas afirmações oficiais, e vão conferir. Ou esses titulares não sabem do que ocorre - o que já é inconcebível - ou falam aleatoriamente, imaginando que a opinião pública vá aceitar.
Metade dessa frota já completou dez anos, coincidindo com a criação do programa, em 1996. O sistema, como se recorda, surgiu como alternativa mais humana de internação e como forma de amenizar a superlotação dos hospitais. No que toca aos atendentes diretos, o serviço funciona, mas quando chega a vez dos que estão na retaguarda, ocorre descaso como este de um setor vital de saúde ter sete veículos no conserto - quase a frota inteira - e há tanto tempo. Natural que uma Prefeitura do porte de Londrina tenha grande número de veículos em conserto, mas não poderia ter porcentual tão alto num setor de atendimento de saúde.
Cinco equipes básicas - cada uma formada por médico, enfermeiro e auxiliar de enfermagem - atendem os pacientes cadastrados, que ficam internados em suas próprias residências. O programa conta ainda com assistentes sociais, psicólogos, fisioterapeutas e nutricionista. Com a frota de carros completa, cada equipe fazia de oito a dez visitas por dia. Agora o atendimento caiu pela metade. E não por culpa desses profissionais, na grande maioria idealistas e dedicados, mas dos titulares, como os secretários municipais da Saúde e da Gestão Pública.





