Descaso com espaços históricos
O incêndio de forte proporção que destruiu o Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo, na semana passada, trouxe recordações tristes para os londrinenses. Impossível não lembrar quando o fogo consumiu grande parte do Teatro Ouro Verde, em fevereiro de 2012. Tanto o Ouro Verde quanto o Museu da Língua Portuguesa (que funcionava no complexo da Estação da Luz) são edificações tombadas - protegidas por meio de leis específicas devido ao seu valor histórico, cultural, entre outros aspectos.
Acredita-se que o incêndio no museu de São Paulo tenha começado com um curto-circuito durante uma troca de lâmpadas. Chama atenção o fato de que o Museu da Língua Portuguesa e todo o complexo não tinham aval dos bombeiros para funcionar. Segundo a corporação, os responsáveis pelo museu apresentaram projeto em 2004, que foi aprovado. Mas a administração do local não voltou a pedir uma segunda vistoria para análise das edificações. Voltando ao Paraná, o Ouro Verde também não estava em dia com o alvará dos bombeiros. Há dois anos, com recursos do governo do Estado, o Ouro Verde passa por reformas que chegaram a ser suspensas por falta de pagamento. Ainda não há previsão de quando o prédio, inaugurado em 1952 e projetado pelo arquiteto Villanova Artigas, ficará pronto.
Em Londrina há outros três bens tombados, a Praça Rocha Pombo, o Museu de Artes de Londrina (antiga Rodoviária) e o Palacete da Família Garcia. Quase todos encontram-se em situação inadequada de manutenção. O Museu de Arte, por exemplo, também importante projeto de Villanova Artigas, passou por restauro na década de 1980 e depois disso pouco foi feito no local. O que se vê hoje são estruturas enferrujadas, infiltrações e risco de desabamento.
O que deveria representar o tombamento de um monumento histórico e cultural? Essa medida deveria significar que o imóvel seria preservado, cuidado e mantido. Infelizmente, não é o que se vê no Brasil. Em vários estados, construções centenárias e espaços de grande valor arquitetônico, cultural e social estão prestes a desaparecer por falta de verba para o restauro. A perda é irreversível para a história de um povo e sua identidade cultural. Se há falta de recursos públicos para manutenção, o ideal é que se busque uma solução inteligente para a preservação desses espaços. Em muitos locais, boas parcerias com o setor privado têm trazido resultados positivos na forma de patrocínios, doações e no modelo de gestão empresarial.





