A divulgação de que o Paraná é um dos Estados que menos vai receber recursos destinados pelo Ministério da Saúde para o combate de quatro doenças tropicais - hanseníase, esquistossomose, tracoma e geohelmintíases - reforça mais uma vez a falta de representatividade que atinge a esfera política paranaense e a ausência de interesse de alguns gestores municipais. Matéria de ontem desta FOLHA aponta que o Paraná ficará com apenas R$ 100 mil para investir em ações de vigilância epidemiológica contra as doenças, mesmo com o registro de incidência superior a outros Estados que foram contemplados com valores mais altos. A quantia é a mesma destinada ao Distrito Federal e pouco superior ao total que o Amapá vai receber: R$ 30 mil.
O Paraná vai receber apenas o valor destinado às capitais, embora quatro municípios atendam os critérios para receber verbas para ações de combate à tracoma (uma doença oftálmica), o que significa que têm prevalência maior ou igual a 10%, populações em áreas de extrema pobreza e localizadas em microrregiões de antigas áreas endêmicas com necessidade de oferta de tratamento cirúrgico.
No entanto, cabe esclarecer que a alegação de alguns secretários de que desconheciam a necessidade de assinar um termo de adesão para receber a verba pleiteada não se sustenta, uma vez que está expressa na portaria 2.556 de 28 de outubro de 2011 do Ministério da Saúde. No artigo 2º, em seu parágrafo único, consta que ''a adesão deverá ser formalizada por meio do Termo de Compromisso''. Bastaria ler a portaria. Esse descompromisso e descaso com a coisa pública remete à não melhoria da qualidade de vida da população, uma vez que são endêmicas em populações de baixa renda.
Doenças negligenciadas, de acordo com o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Inovação em Doenças Negligenciadas, prevalecem em condições de pobreza e contribuem para a manutenção do quadro de desigualdade, uma vez que representam entrave ao desenvolvimento. E, conforme relatou a reportagem, alguns municípios continuarão a alimentar esse ciclo porque nada fazem para mudar a realidade.

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