Houvesse no Brasil um presidente da República enérgico, a crise dos aeroportos já teria terminado. Porque quando uma questão como esta - que envolve a área governamental - não encontra solução no âmbito de seus próprios domínios, um poder maior precisa alevantar-se e tomar uma decisão enérgica. O Ministério da Defesa, a Aeronáutica, a Agência Nacional de Aviação Civil e a Infraero têm posições divergentes sobre esse problema dos controladores de vôos, que resulta em atrasos e transtornos sem conta. E já se vão 30 dias dessa desordem. De um lado, o presidente da Infraero diz que há falta de gente no setor, mas logo essa afirmação é negada por outra autoridade; um segmento da área afirma que faltam equipamentos mais adequados - e isto realmente ocorre, conforme levantamento já feito e demonstrado - mas há dentro do sistema quem veja as coisas sob outro ângulo, ademais afirmando que não existe sobrecarga de trabalho. Não faltam afirmações hilariantes de que impera, no seio do pessoal, ''uma epidemia de problemas psicológicos'', conforme declarou em audiência pública, no Senado, o brigadeiro Luiz Carlos da Silva Bueno. Os comandantes de cada departamento não têm uma definição clara da situação, e se de um lado um afirma que até o fim do ano o problema será resolvido, outro diz que não há data definida para isso acontecer. Sabe-se que uma das reivindicações dos controladores é melhoria salarial. O presidente Lula ainda festeja sua vitória eleitoral e deve ter esquecido que é o supremo mandatário atual e também responsável, em última instância, pelas coisas que (no caso) afetam a aeronáutica. Já passa da hora de o chefe do Governo intervir e tirar as coisas a limpo, para dessa forma saber o que se passa e tomar uma providência. Seu discurso incisivo de cobrar medidas dos responsáveis não passou de palavras, porque a partir daí ele não fez cobrança a ninguém. O que Lula faz no momento é costurar apoios políticos para seu próximo mandato, o que é necessário para a harmonia da governabilidade, mas há problemas mais sérios no ar - e em terra - como este do colapso dos aeroportos. O certo é que milhões (sim, milhões) de passageiros têm passado por problemas, como os compromissos interrompidos pelos atrasos dos aviões, gerando prejuízos para eles e também para as companhias aéreas e todos os segmentos envolvidos. Problemas sempre existirão, em muitos setores, mas não se aceita o total abandono da causa pela autoridade maior da República, como neste caso. O Presidente flutua, indiferente, sustentado pela brisa mansa que sopra em seu ''céu de brigadeiro'' desde a vitória de 29 de outubro.

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