A preservação do meio ambiente depende de todos. Requer mudanças culturais e comportamentais, mas pequenas atitudes podem contribuir para minimizar os impactos gerados à natureza. Reportagem de ontem desta FOLHA relata a falha na destinação dos resíduos gerados pela construção civil. Embora existam uma série de resoluções que orientam o descarte correto dos
materiais, pequenos geradores não têm cumprido a lei.
Certamente falta fiscalização, seja por falta de estrutura ou de pessoal dos órgãos públicos, mas também falta consciência ambiental. Segundo a Secretaria Municipal do Ambiente, o principal problema são os geradores de pequeno porte (pessoas físicas ou jurídicas que produzem até um metro cúbico de resíduos – volume equivalente a mil litros, que corresponde a uma obra de 30 metros). Médios e grandes geradores já estão adequados à lei.
A destinação incorreta dos resíduos provoca inúmeros transtornos ao meio ambiente como: degradação das áreas de manancial e proteção permanente, proliferação de agentes transmissores de doenças, assoreamento de rios e córregos, obstrução de galerias pluviais, ocupação de vias e logradouros públicos por resíduos, com prejuízo à circulação de pessoas e veículos, além da própria degradação da paisagem urbana. São problemas bem maiores que precisam ser considerados.
Outro ponto falho é a manutenção dos "ecopontos", que foram instalados pela Prefeitura há quase quatro anos para receber esses resíduos. Além da falta de manutenção e fiscalização, muitas pessoas têm utilizado o local para descartar qualquer tipo de entulho, como relatado pela FOLHA semana
passada. O ato, além de apontar para a falta de educação, prejudica moradores vizinhos ao local porque eles têm que conviver com o mau cheiro e a fumaça, com a maior presença de insetos e pequenos animais, tornando-os mais suscetíveis a doenças.
Por isso, seria interessante que fossem realizadas campanhas educativas que reforcem os impactos negativos ao meio ambiente provocados pelo descarte incorreto de entulhos e resíduos da construção. Na outra ponta do processo, é preciso que ocorram mais fiscalizações nos ecopontos
e nas obras. Somente uma presença mais efetiva do poder público poderá
modificar essa realidade.

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