A criação de peixes ornamentais, enquanto atividade de lazer, traz grandes benefícios para quem pratica, como aquela sensação de bem-estar e relaxamento. Mas o problema é quando o aquário deixa de ser interessante para o seu dono. O descarte incorreto dos peixes ornamentais está se transformando em um grande problema ambiental. Pesquisa realizada pelo Centro de Ciências Biológicas (CCB), da Universidade Estadual de Londrina (UEL), apontou 11 espécies de peixes oriundos do Pantanal, Amazônia, Ásia e América Central na bacia do alto rio Paraná.
A presença de invasores pode trazer um grave desequilíbrio ecológico, afastando ou minando as espécies nativas. O que parecia ser uma ação inocente – libertar o peixe do aquário e soltá-lo em um rio ou lago -, pode causar a reprodução desenfreada desses animais, provocando, ao logo dos anos, a modificação da fauna naquele ambiente aquático. Desnecessário dizer esse impacto também pode afetar a vida do homem que depende da pesca e prejudicar a qualidade da água. Isso porque o desequilíbrio afeta o controle de algas e insetos.
A pesquisa da UEL compilou dados e estudos já publicados por outros autores e constatou que espécies como Flame Tetra, Cascudo Abacaxi, Pati, Cará, Oscar, Mato Grosso e Espada estão presentes na bacia analisada. Segundo os pesquisadores, essas raças de peixes chegaram no Rio Paraná por descarte irregular, principalmente, de quem pratica aquarismo. O estudo alerta que o prejuízo pode ser irreversível, pois as espécies mais agressivas competem por alimento com os tipos nativos e há o risco de transmitirem doenças. Quando o problema está instalado, a solução se torna muito difícil. Se fosse um pequeno lago, até seria possível retirar os invasores e reintroduzir as espécies nativas. Mas isso seria inviável em um rio.
É preciso educar a população sobre o grande desastre ambiental causado pelo descarte irregular de peixes. Além de ser um crime, sujeito a multa que varia de R$ 1,5 mil a R$ 500 mil. O Brasil investe pouco em educação ambiental e a consequência é percebida na quantidade de lixo nas ruas, nas enchentes e na preservação precária de rios e lagos. Quanto ao abandono de animais domésticos (peixe, cães e gatos), há riscos para a saúde pública e a conscientização deveria começar cedo, com crianças e jovens.

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