A cada desastre natural registrado no País ou no Estado reforça-se o despreparo tanto das autoridades como da população para lidar com essas ocorrências. Um desses exemplos está aqui no Paraná: um mês após a passagem do tornado pela zona rural de Francisco Beltrão, na Região Sudoeste, a cena de devastação permanece. Carros retorcidos, móveis danificados e paredes no chão ainda estão por toda a parte. Os recursos prometidos pela União e pelo governo estadual ainda não chegaram.
Além do tornado que atingiu Francisco Beltrão, outros 27 municípios atingidos por temporais foram incluídos em um decreto de emergência assinado pelo governador Beto Richa (PSDB) no mês passado. Na ocasião, foi divulgada a liberação de R$ 3 milhões para ajudar na reconstrução, quantia que não foi confirmada agora. O governo federal também não enviou nenhum recurso.
A ocorrência de desastres naturais é imprevisível, mas poucos municípios elaboraram o plano de contingência, embora anualmente sejam afetados por fortes chuvas e deslizamentos de morros e encostas. Segundo o Atlas Brasileiro dos Desastres Naturais entre os anos de 1991 e 2012 mais da metade dos brasileiros teve sua vida afetada por eventos climáticos extremos tais como seca, enchentes e deslizamentos de terra. Cerca de 127 milhões de pessoas foram afetadas. É inegável que o aquecimento global, combinado com a expansão urbana e problemas de infraestrutura, corroboram para piorar esse cenário.
O assunto é de extrema importância, tanto que as Organizações das Nações Unidas têm projetos dedicados ao tema, como as "Cidades Resilientes". A prevenção é sempre o melhor caminho para minimizar o impacto de desastres e, para isso, a iniciativa pretende tornar as cidades capazes de resistir, absorver e se recuperar de maneira eficiente. No entanto, é preciso que esses programas saiam do papel e sejam implementados. A população não pode continuar a ser prejudicada por esse tipo de evento. É preciso garantir agilidade na recuperação.

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