A intensidade e a frequência dos desastres naturais parecem ter aumentado nos últimos anos. A cada verão, período em que há maior ocorrência de chuvas no Brasil, são registrados deslizamentos de morros e encostas, enchentes, entre várias outras ocorrências. Esses eventos naturais geralmente são acompanhados por histórias trágicas, de mortes, destruição e muitos prejuízos. No entanto, apesar do apelo gerado no momento, esses episódios acabam por se repetir e fica a sensação entre a população de que as autoridades pouco ou quase nada fazem para minimizar os efeitos desses desastres.
Isso é fato. A reportagem da FOLHA constatou que apenas 14 municípios do Paraná concluíram o mapeamento das áreas de risco e a estruturação do Sistema de Prevenção, Monitoramento e Alerta e Resposta a desastres naturais. Até o final deste ano a meta é que 200 municípios concluam seus planos mas, para ficar em um exemplo, apenas 7 das 61 cidades que compõem a regional de Londrina, estão trabalhando no projeto. Embora exista orçamento previsto, também há atraso na implantação da sala de situação do Paraná, que seria coordenada pela Defesa Civil.
Ainda é preciso lembrar que a população não faz a sua parte. Embora conheça bem os riscos de ocupar morros, encostas e margens de rios, muitas pessoas se recusam a deixar esses locais. É óbvio que décadas de ocupações irregulares, somadas às profundas transformações climáticas do planeta provocadas pelo excesso de poluição, trariam consequências graves. Não seria o caso de um trabalho sistemático a fim de desocupar esses locais e de melhor planejar a ocupação do solo?
Enquanto pouco – ou quase nada – estiver sendo feito, tragédias e notícias de desastres naturais serão recorrentes. É preciso empenho das autoridades de todas as esferas, conscientização da população e pressão da opinião pública para que sejam implantados projetos que minimizem os efeitos dessas catástrofes.

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