O foguetório que freqüentemente irrompe em Londrina pode não ser apenas de festas santeiras ou de gol do Brasil e sim o anúncio da chegada de drogas. Isto pode parecer coisa do imaginário popular, mas o certo é que todos comentam. Se não é verdade, e bem provável, sobretudo porque é comum acontecer também em adiantada hora da noite e até nas madrugadas, e este certamente não é um horário – até por proibição legal – de fazer tanto barulho. A Polícia também já ouviu falar disso, e não custaria fazer uma investigação. A verdade é que o Norte do Paraná figura na rota das drogas que vêm das fronteiras internacionais vizinhas, e, pelo que se leu por estes dias neste Jornal, o tráfego e o tráfico continuam intensos e volumosos. Primeiro foi a notícia da apreensão, pela Polícia Rodoviária e pela Polícia Federal, em Curitiba, de uma carga com nada menos de 2 toneladas de maconha e cocaína, que estavam sendo transportadas num caminhão-trator com uma carreta acoplada. E a seguir, também na Capital, foram apreendidos 300 quilos de maconha num veículo de uma empresa transportadora. Dias antes a mesma operação já havia encontrado 1,3 toneladas da erva, num outro veículo da transportadora (que alega, em nota pública, não saber do contéudo da carga, colocando-se à disposição para agilizar as investigações). Só nessas diligências foram apreendidos 3.500 quilos de droga. É muita droga e não trabalho de formiguinhas, como são chamados os distribuidores, na maioria jovens da classe pobre que acabam se matando nos acertos de contas. Imagina-se que cargas tão pesadas como essas circulem freqüentemente pelas rotas paranaenses, tudo indicando que os casos citados não sejam isolados, mas constantes. Ainda não se falou em nomes, mas certamente os motoristas não são os chefões do negócio, embora eventualmente envolvidos. E são esses comandos graúdos que a Polícia precisa localizar e prender. Se a carga vem de fora do País, existem os receptadores internos, e são eles que os investigadores buscam. Diante do que a operação já conseguiu, acredita-se que esteja aberto o caminho para chegar até eles. O negócio das drogas tem ramificações transnacionais e figura entre os mais rentáveis e poderosos do mundo, mobilizando exércitos de pessoas no cultivo, industrialização, comercialização e apoio logístico, este monitorado pelo crime organizado. Mas viu-se que é possível localizar e deter carregamentos, como agora ocorreu, e tão fora do alcance dos fuzis dos morros cariocas, onde braços armados do narcotráfico estão homiziados. Mas ali não é o centro de todas as coisas. Se as operações forem intensificadas, com a mobilização também de contingentes do Exército (que desempenhariam bem a tarefa de interceptar cargas nas estradas), pode-se derrotar esse monstro aparentemente imbatível.

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