As pessoas andam muito raivosas, e onde quer que se esteja a conversa é carregada de pessimismo e de palavras negativas. O que se ouve é que tudo vai mal e que as coisas são difíceis. Paira nas mentes uma atmosfera densa, que mais se robustece na medida em que mais combustível se põe nessa caldeira de negatividades. Assim, uma coisa vai puxando a outra, até o ponto de combustão, que se manifesta aqui e ali em forma de focos de perturbação social e violência. Pessoas mais fragilizadas acabam envolvidas nesse torvelinho e são as vítimas mais frequentes das erupções que acontecem como consequência.
Uma acidente de carro, um avião que cai, um vulcão que irrompe, uma tempestade, um atentado, a explosão de uma nova guerra em qualquer ponto do planeta, geralmente onde a ocorrência desses fatos é mais suscetível. Estas são as resultantes da efervescência da mente coletiva. A corrente das idéias e das palavras vai se condensando até o ponto de arrebentação. O ar carregado gera nuvens escuras, e as precipitações que advêm são efeitos inevitáveis. Há mais poder na somatização das emissões do pensamento e das palavras que nas próprias forças da natureza - estas, no mais das vezes efeito do que causa.
Aquilo de ruim em que se deposita muita atenção tende a realmente ocorrer ou a se repetir, pelo robustecimento da vibração mental sobre ele. A maximização que se faz de uma coisa torna-a ainda mais vigorosa. Einstein disse que as mentes unidas de toda a humanidade fariam explodir o sol, se esta fosse a vontade. Se as pessoas semeiam negatividades - e é o que a maioria faz - favorece a que mais coisas negativas aconteçam. Se semeiam ódio e maledicência, fertilizam ainda mais esse campo, e os efeitos começarão a pipocar na mesma intensidade, geralmente em torno das mesmas pessoas, de inocentes vulneráveis ou daqueles já propensos a cometimentos afins.
Se as pessoas conhecessem o poder da mente e das palavras que emitem, policiariam mais o que de negativo pensam e dizem. Não se trata de ignorar os problemas e ficar em posição de passividade diante deles, mas sim de desarmar as mentes e despojá-la do ódio, do desejo de punição, da inveja e do temor de que coisas ruins aconteçam. É comum dirigir preces e bons sentimentos para as vítimas de assassinatos e para os familiares, mas raramente alguém faz o mesmo com relação ao assassino e aos seus, que igualmente sofrem. Desarmar as mentes é ter essa visão abrangente, com o entendimento de que o que toca às outras pessoa toca a cada um.
Ninguém deve ser indiferente a nada, nem passar ao largo dos acontecimentos, mas será necessário encarar os fatos de frente, como eles são, e buscar neles próprios o indicativo de solução. Sobretudo vigiar para que a mente não se turve e para que não prevaleça o desejo de castigar, porque algozes são igualmente vítimas, e ninguém desejaria ter, em seu seio familiar, nem um e nem outro.
Se a mãe busca por todos os meios salvar o filho que delinque, incumbe a cada um, ao menos por instantes, buscar colocar-se na situação dela, vendo um próprio filho no lugar daquele. Assim será possível ver as coisas de forma mais clara e diferente. A mente está a todo momento criando e recriando, e cedo ou tarde o resultado se manifesta, sem que às vezes se perceba. Sentimentos e palavras de ira movem forças iguais e atraem coisas semelhantes. Porque esta é a lei da natureza universal.
WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina

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