Desaparecidos eram da Vanguarda Popular
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quarta-feira, 01 de agosto de 2001
De Foz do Iguaçu 
Os desaparecidos políticos em 1974 no Paraná pertenciam à Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), criada em outubro de 1968, fruto da união dos dissidentes da Política Operária (Polop) com militares do Movimento Nacionalista Revolucionário (MNR). Seu agrupamento inicial foi estruturado pelo ex-sargento do Exército Onofre Pinto, em 1966, em São Paulo.
A organização era uma das de maior expressão entre as que adotaram o caminho das armas para enfrentar a ditadura. Sua linha política consistia em um meio-termo entre as teses guevaristas da Organização Latino-Americana de Solidariedade (OLAS) e as opiniões trazidas da Polop, especialmente quanto ao caráter socialista (e não antiimperialista) da luta revolucionária no Brasil.
Em 24 de janeiro de 1969, a VPR ganhou um importante reforço. O capitão do Exército Carlos Lamarca desertou junto com um grupo de soldados e suboficiais, do 4º Regimento de Infantaria, em São Paulo. Por achar mais prático ter um campo de treinamento de guerrilheiros dentro do Brasil, a VPR organizou, em 1970, a experiência do Vale do Ribeira, além de ter se responsabilizado pelos sequestros de três diplomatas estrangeiros (japonês, alemão e suíço), libertando-os em troca de presos políticos enviados para outros países.
O sequestro do embaixador suíço Giovanni Enrico Bucher, em 1971, no entanto, gerou uma crise entre o capitão Carlos Lamarca e o comandando José Raimundo. Apesar do governo ditatorial vetar a troca de 70 presos pela libertação diplomata, Lamarca impôs sua vontade sobre a maioria de seus companheiros e se recusou a matar o sequestrado. Segundo ele, todos eram revolucionários e não assassinos.
O desentendimento abalou a estrutura dos revolucionários em São Paulo. O Comando Nacional da VPR rompeu e cada um tomou rumo diferente. O agravante seguinte, que acelerou o fim do grupo, foi a morte de seis militantes em Pernambuco, em 1973. (A.P.)


