Desajuste fiscal

O Brasil continua indo mal nos rankings de competitividade. No relatório Doing Business 2016, do Banco Mundial, o país caiu cinco posições em relação ao ano anterior. A pior avaliação do Brasil é no quesito pagamento de impostos. Já o Relatório Global de Competitividade 2015-2016, do World Economic Forum, apresenta uma queda de 18 posições, a maior entre os 140 países analisados. Em desperdício de gastos públicos ficamos na 133ª posição, perto da lanterna.

O economista Raul Velloso, um dos fundadores do Movimento Brasil Eficiente (MBE) levantou que as despesas da União (exclusive juros) cresceram impressionantes 344% entre 2002 e 2014, contra uma inflação (IPCA) de 108% e crescimento real do PIB de 46%. Esses dados permitem concluir pela necessidade de avançar em duas frentes: a desvinculação dos gastos do governo e o aumento da eficiência da despesa pública.

O ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Augusto Nardes, reforça a ineficiência no uso de recursos. Ele relata que falta planejamento de longo prazo nos órgãos públicos, inviabilizando obras e comprometendo investimentos. Menciona também a má qualidade de estudos técnicos, de projetos básicos e de projetos executivos, além da corrupção, como os motivos que levaram, por exemplo, as obras da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, passarem de um orçamento inicial de 2,5 bilhões de dólares para os 20 bilhões atuais.

Portanto, temos no Brasil excesso de gastos públicos, grande parte devido à ineficiência, que gera a necessidade de uma das maiores cargas tributárias do mundo. Quando então o governo propõe à sociedade um ajuste fiscal escorado basicamente em aumento de impostos para cobrir gastos crescentes, temos no mínimo uma inconsistência. Ajuste vem de ajustar, corrigir. O que está errado é justamente o excesso de despesas e de impostos. Então o que está sendo proposto é um desajuste fiscal. Que seja passageiro.

CARLOS RODOLFO SCHNEIDER é empresário e coordenador do Movimento Brasil Eficiente (MBE)


As últimas palavras de Steve Jobs

Muitos leram as últimas palavras de Steve Jobs, antes de sua morte no hospital, mas publico-as aqui como mais um registro e para que sirvam para todos nós como reflexão. Jobs, como muitos sabem, foi um magnata da informática, cofundador e presidente da Apple. Pobre quando jovem, recolhia e vendia recipientes de coca-cola para sobreviver. Aos domingos, comia de favor, no templo da Hare Crishna, em São Francisco. Sua mãe biológica, universitária e solteira, o entregou em adoção. Depois, Steve começou a desenvolver a Apple numa garagem, em companhia do amigo Woz, acumulou fortunas e converteu-se num semeador de progresso. Ele disse, em seus derradeiros momentos:
"Aos olhos dos outros minha vida tem sido o símbolo do sucesso. No entanto, além do trabalho, tenho pouca alegria. ...Neste momento estou na cama de um hospital e, lembrando de toda a minha vida, percebi que todos os elogios e riquezas, de que estava tão orgulhoso, tornaram-se insignificantes com a iminência da morte. Só agora entendo que não é só ganhar dinheiro, mas seguir outros objetivos. Por exemplo: histórias de amor, arte, sonhos de infância. Deus criou uma forma de sentirmos amor no coração e não ilusões construídas pela fama ou dinheiro, como fiz em toda a minha vida, e não posso levá-los comigo. Posso levar lembranças que o amor fortaleceu. Esta é a verdadeira riqueza que o acompanhará e lhe dará força e luz para ir em frente.
O amor pode viajar milhares de quilômetros e assim a vida não tem limite. ...Se você tem dinheiro, pode pagar alguém para dirigir seu carro, mas não pode pagar ninguém para sofrer sua doença. ...Valorize o amor pela família, por seu companheiro, pelos amigos. Trate-se bem e cuide do próximo. ...Não se aprisione pelo dogma, que é viver com os resultados do pensamento de outras pessoas.
Ame o que você faz. Ser o mais rico do cemitério não é o mais importante para mim, mas ir à cama à noite e pensar que foi feita alguma coisa grande. ...Não temos nada a perder, pois já estamos nus. ...Para conectar os fatos, olhe para trás, e assim eles se conectarão no futuro. Concentre-se naquilo em que você é bom; o mais, delegue. ...Você tem de acreditar em sua vida, em seu destino, em seu karma. ...Estamos aqui para fazer alguma coisa para o universo...Siga sua intuição e seu coração. Eles sabem o que você realmente deseja. Tudo o mais é secundário".

WALMOR MACCARINI é jornalista em Londrina

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