Desafios políticos para 2013
PUBLICAÇÃO
domingo, 06 de janeiro de 2013
Clodomiro José Bannwart Júnior 
O ano de 2012 registrou vários dissabores na política londrinense. Inúmeras foram as irregularidades, os desvios e os desmandos que vieram ao conhecimento da opinião pública. Mais de uma vez estampado nos meios de comunicação apareceu, em primeiro plano, uma crise de feitura ética. Relações promíscuas no trato com a coisa pública, interesses coletivos maculados por conveniências privadas, aliciamento e compra de votos no Legislativo, discursos desencontrados em meio a fatos e evidências, vereadores denunciados e até mesmo presos; o primeiro escalão da prefeitura envolvido em anormalidades que redundaram também em prisões.
Foi um sucedâneo de acontecimentos negativos que finalizou com a cassação do prefeito e a prisão do vice. Na sequência, veio a real situação financeira da prefeitura totalmente desestruturada, como marca de uma gestão que acumulou sucessivas mudanças no secretariado municipal e resultados pouco satisfatórios do ponto de vista ético.
Olhando por esse ângulo se faz pensar o custo social e econômico que uma crise ética pode desencadear. É possível mensurar quanto Londrina e cada um dos seus cidadãos perderam com tal crise? Quantos negócios foram afastados da cidade? Quantos projetos abandonados ou deixados sem execução?
Soma-se a tudo isso uma prática política desidratada, movida por um adesismo sem ideologia nem compromisso e políticos que saltam de partidos sem pudor algum. De apoiadores passam a opositores ou vice-versa sem, em nenhum momento, prestarem contas aos cidadãos que os elegeram. Sedimentam coalizações com força de imobilizar a oposição ou abater qualquer capacidade de fiscalização no Legislativo. É precisamente desse deficit ético e político que foram colhidas as crises administrativa e financeira estampadas, por um lado, na falta de planejamento técnico quanto à condução da máquina pública, e, por outro, na ineficiência da prestação dos serviços que os cidadãos demandam.
Do efeito direito dessas quatro crises conjugadas ética, política, administrativa e financeira sobreveio a rápida resposta do eleitorado londrinense, alçando o candidato a prefeito que concorria em penúltimo lugar nas pesquisas, assegurando-lhe o direito de disputar o segundo turno para, na sequência, consagrar-lhe a vitória.
Vitória que depôs as coalizações espúrias, as pirotecnias de ilustres apoiadores, o neopopulismo da política local, o marketing político e os debates de baixo nível. Enfim, vitória que reabre a caixa de Pandora da política londrinense e reacende a esperança no plano simbólico.
O desafio agora está em apurar a capacidade de o Legislativo e o Executivo, ambos renovados, construírem um novo patamar de relação e de maturidade política.
De um lado, a Câmara, com a renovação parcial de suas cadeiras, deve superar o deficit institucional que veio paulatinamente demonstrando ao longo dos 12 últimos anos, e assumir uma postura republicana e transparente para com o Executivo e, sobretudo, para com a cidade. A tribuna ainda deve continuar sendo o lugar mais propício para o debate público, sem reserva para ensaios de bastidores e teatralidade amadora.
Do outro lado, o prefeito eleito deverá ir além de uma gestão técnica, mote de campanha e que tem sido confirmada positivamente na escolha de um secretariado com perfil e currículo de excelência. Que possa o prefeito cumprir os quesitos fundamentais de altivez na administração e disponibilizar serviços públicos de qualidade e, acima de tudo, dispensar em cada ato de sua gestão um comportamento mensurado pela métrica da ética.
Espera-se, por fim, que a nova administração consiga instaurar uma relação autenticamente política com a Câmara, transparente e em plena sintonia com a expectativa de cada cidadão e com a grandeza da cidade de Londrina.
CLODOMIRO JOSÉ BANNWART JÚNIOR
é professor de Ética e Filosofia Política
na Universidade Estadual de Londrina
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