O comércio varejista no Paraná é forte, gera riqueza, emprego, distribui lucros, oportuniza outros tipos de negócios, mantém a economia oxigenada. É um setor importante, prestador de serviços. Os agentes desse mercado são dinâmicos, mantêm vivas as cadeias alimentares, trabalham com parâmetros aferidores da saúde da macroeconomia pois é o primeiro que acusa o recuo no consumo e sinaliza sintomas de recessão - ou de expansão econômica. Isto, apenas para citar um dos muitos de seus indicadores, porque o setor também é o que capta, em primeiro lugar, a boa performance do poder aquisitivo da massa, por exemplo.
Mas falta-lhe representatividade. A recente eleição no Sincoval, que teoricamente atua em mais de 30 municípios, expôs a atual inconsistência do associativismo classista. Os números apontam um desinteresse histórico em implementar essa representação. O candidato eleito teve 54 votos; o derrotado, ridículos 47 votos e apenas 126 associados estavam aptos a votar. Algo difícil de entender se a entidade teoricamente atua numa região tão ampla geograficamente e tão forte comercialmente.
A nova diretoria do Sindicato do Comércio Varejista de Londrina e Região (Sincoval) deve encarar essa realidade como um desafio e buscar aproximação e fortalecimento da base. Ou diagnosticar rapidamente se está bom assim, isto é, se os associados realmente preferem um trabalho tão discreto dos seus dirigentes. Afinal, discrição não significa inoperância. Não necessariamente pelo menos. E essa forma de atuação, que pautou as diretoria anteriores, pode ter sido a opção pela prudência e pela eficácia.
Intriga, porém, como legitimar um setor tão forte com um número tão pequeno de associados. Desse universo, modestíssimo, os que participam são em número ainda menor. Conferir representatividade - se isso convém ao Sincoval enquanto entidade de classe - deve ser meta prioritária dos novos dirigentes. Mas parece que não será dessa vez, a julgar pelas propostas da chapa ganhadora. Até agora os pronunciamentos deixam entrever que as pretensões do sindicato continuarão modestas. Nesse caso, a opção pela calmaria vai continuar.
Resta saber se a demanda do comércio se limita ao trabalho de rotina, este sim parece eficiente. Os sindicatos, todos eles, e o Sincoval não é diferente, têm a responsabilidade de negociar salários, orientar associados e prestar uma infinidade de serviços. Têm o direito de pautar sua atuação, estrategicamente, ora pela discrição, ora pela atuação política no bom sentido do termo. Essa diretriz comporta uma discussão ampla, afinal o momento histórico do País não admite indecisão e indiferença.

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