No encerramento da reunião anual da Associação das Nações do Sudeste Asiático - Asean - (formada por Brunei, Indonésia, Laos, Malásia, Birmânia, Filipinas, Cingapura, Tailândia e Vietnã), ocorrida sábado, em Manila, os países membros da entidade se comprometeram a tentar erradicar o tráfico de drogas antes do ano 2020. Pouco antes da cerimônia de encerramento da 31ª reunião anual, os ministros das Relações Exteriores dos 9 países da Asean assinaram uma declaração na qual se comprometeram, entre outras coisas, a ‘‘tentar erradicar a produção das drogas ilegais, sua fabricação, seu tráfico e seu uso nos países da Associação antes do ano 2020’’. Segundo estatísticas das Nações Unidas, o sudeste asiático conta com 5,5 milhões de viciados em heroína. O ‘‘triângulo de ouro’’ asiático, que compreende as fronteiras da Birmânia, Tailândia e Laos, é um dos centros mais importantes do mundo na produção de drogas.
As autoridades daquela complicada região se deram um prazo muito grande - mais de 20 anos - para erradicar o problema. Existe, portanto, a percepção de que se trata de um problema realmente imenso. O esforço regional mostra que há um caminho único para a sociedade civilizada superar este desafio. Assim como a Asean, outros grupos multinacionais, inclusive o Mercosul, reconhecem que só mesmo políticas conjuntas e mundiais podem resolver a questão. Nem é preciso ir longe para perceber a enormidade do problema. Segundo o Gabinete de Controle da Droga das Nações Unidas, o comércio mundial anual da droga representa 400 bilhões de dólares. Uma quantia superior ao orçamento de muitos países. Uma fortuna usada para manter e ampliar o predomínio do mais sério crime que existe em escala mundial.
Mais grave ainda é a dificuldade em enfrentar o poder dos cartéis de drogas. Além do dinheiro, os traficantes não hesitam em usar a violência para manter suas posições. Na verdade, onde o suborno não funciona - e é certo que ainda há muitos cidadãos íntegros, tanto na polícia como na Justiça ou na política, os meios em que mais ocorre a corrupção - entra a ameaça e a violência pura, que não respeitam nada. Trata-se, sem dúvida, de uma verdadeira guerra, das mais sujas, sem fronteiras, sem limites, sem leis, ao menos pelo lado dos traficantes.
Para enfrentar isso, a sociedade precisa se organizar globalmente. Todos os países precisam não só ter legislação similar mas, também, unir esforços, criar equipes especiais para agir em todo o planeta. Não por outro motivo, recentemente, um dos maiores especialistas no combate às drogas, dos Estados Unidos, criticou a política holandesa de liberalização do consumo de entorpecentes. Os comentários provocaram ira da Holanda, que criticou a ingerência em seus assuntos internos. Entretanto, não há dúvida que se em um país há qualquer tipo de atitude de abertura para algum tipo de droga, existe uma base para o crime, em termos legais.
Discute-se muito, até mesmo no Brasil, a idéia de legalizar pelo menos algumas das drogas. É um tema polêmico que, porém, tem de ser tratado como os demais em nível mundial. Pois se um país libera algum produto, abre também uma porta para outros tipos, que se misturam. Na verdade, em relação ao tema, não há meio-termo: ou o mundo civilizado age em bloco ou nem em 2020 nem nunca o desafio poderá ser vencido.

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