Curitiba - O governador Jaime Lerner (PFL) prometeu para essa semana uma definição de como será administrado o NovoMuseu, inaugurado na noite de sexta-feira em Curitiba. Instalado em uma área de 144 mil metros quadrados, no antigo Edifício Castelo Branco, o museu abriu as suas portas pela primeira vez para um público de cerca de 2,5 mil pessoas. Lerner fez um discurso emocionado, ao lado do presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e do arquiteto que projetou a obra, Oscar Niemeyer. Após a cerimônia de abertura, analisando a dimensão e a importância da obra e durante rápida e tumultuada coletiva com os jornalistas, o governador chorou.
O museu foi construído em tempo recorde de cinco meses e custou cerca de R$ 50 milhões aos cofres paranaenses. Numa comparação feita pelo governo, é o museu com maior área de exposições do mundo. Segundo Lerner, ''não poderia haver um encerramento melhor para uma gestão do que a inauguração de um espaço como esse''. Por isso, ressaltou que somente a entrega do prédio justifica e garante o futuro da obra. O governador descartou a possibilidade do museu ter a sua ocupação preenchida inadequadamente por uma gestão equivocada. ''A obra está estruturada para ser um amplo espaço de artes visuais. Eu não temo pelo seu futuro'', disse.
O próximo passo, segundo o governador, será definir quem vai administrar toda essa imponência. Anteontem, no entanto, o público parecia não se importar com a questão que, por um momento e apenas por causa da emoção da abertura do belo espaço pareceu burocrática.
''Primeiro as coisas têm que nascer para depois crescer e se expandir'', amenizava a secretária da Cultura Mônica Rischbieter quanto às incertezas que permeiam o futuro da obra. ''Olha esse acervo, ele ganhou dignidade aqui dentro'', dizia, se referindo ao antes apagado acervo paranaense que ganhou espaço em três salas do museu, no mesmo andar ocupado por parte da Mostra Matéria Prima, composta por peças de artistas contemporâneos e da exposição Personagens e Paisagens, da coleção de Pascual Gutierres Roldán.
Ao todo são sete exposições que disputam espaço com a originalidade do amplo espaço. As salas que antes eram ocupadas pelos setores administrativos das secretarias do governo, no Edifício Castelo Branco, foram transformadas também numa espécie de obra de arte. E assim como o museu foi construído em tempo recorde, também a montagem das exposições aconteceu num espaço de tempo bastante restrito. Em dois dias (e madrugadas) as obras foram colocadas na parede, conservadoramente, ou montadas de forma propositalmente displicente, como manda o figurino da curadoria moderna.
Num passeio pelas amplas salas do NovoMuseu o que ocorria era a dúvida que, na verdade, movimenta a arte contemporânea. Por um segundo, é impossível saber se o esfregão limpando cacos de vidros ou substâncias indefinidas no chão (numa clara referência a Cildo Meireles) foi colocado ali propositalmente. Ao menos considerando os comentários espontâneos do público que visitava o museu. Muitos pela primeira vez dentro de uma instituição cultural que se propõe a mostrar obras de arte.
As instalações da Mostra Matéria Prima, que teve curadoria do responsável pela parte nacional da Bienal Internacional de São Paulo 2002, Agnaldo Farias, não trazem nada de novo, mas impressionaram a maioria do público presente na abertura. Em uma das salas da mostra foram montados pequenos ambientes onde telões transmitem vídeos experimentais. Para observá-los foram dispostos confortáveis ''pufs''.
Saindo do antigo complexo do Castelo Branco, um grande túnel branco conduz ao elevador ou à escada que dá acesso ao olho. Lá, as caixas de areia de um azul anil e os corpos de mulheres nuas acorrentadas tinham bem menos impacto do que a arquitetura do olho, um espaço de mais de quase 3 mil metros quadrados e beleza incomparável.
''Esse é um espaço impressionante, que vai depender da organização da sociedade civil para funcionar'', analisou o coordenador do NovoMuseu Ricardo Ribenboim. Para ele, apesar do museu nascer no período de transição do governo, o espaço não deve ter vínculo com ciclos governamentais. Ribenboim não concorda com a possibilidade da administração ficar a cargo de uma empresa privada, questão que vem sendo estudada, a portas fechadas, pelo governo. ''Senão acaba virando um projeto mercadológico'', diz.
Enquanto uma definição é aguardada para que uma agenda do NovoMuseu seja fechada (a série de exposições abertas anteontem acaba em março e ainda não há exposições previstas depois disso), o museu está de portas abertas e bilheteria fechada. A entrada é franca.
Serviço: Exposições ''Curitiba Inovação e Solidariedade'': ''Matéria Prima'', ''Acervo Paranaense''; ''Uma história do sentar'', ''Exposição Mexicana'' e ''Pátio das Esculturas'', no NovoMuseu (Rua Marechal Hermes, 999, Centro Cívico).

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