Desafio de melhorar a educação
Oferecer uma educação de qualidade a crianças, jovens e adultos é um dos principais desafios a serem superados pelo Brasil. Há décadas o ensino tem sido considerado o "calcanhar de Aquiles" brasileiro no ranking dos indicadores socioeconômicos. Os itens "anos de estudo" e "expectativa de anos de estudo" pesaram negativamente na composição do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), divulgado recentemente pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento. Entre 187 países pesquisados, o Brasil manteve a 85ª posição.
Nesta semana o Senado aprovou a Medida Provisória do governo federal que cria o Pacto pela Alfabetização na Idade Certa. A meta é alfabetizar todas as crianças das escolas públicas até o final do terceiro ano do Ensino Fundamental, aos 8 anos de idade. Para cumprir o objetivo, o Ministério da Educação pretende repassar mais de R$ 1 bilhão para projetos de capacitação de professores, concessão de bolsas para profissionais da educação e para o desenvolvimento de recursos didáticos e pedagógicos.
Todo aumento de orçamento destinado à educação é bem-vindo. No entanto, a despeito da falta de infraestrutura das escolas e da baixa remuneração dos professores, é preciso uma discussão mais ampla. Não se pode deixar de apontar para a falência do atual modelo de ensino. A falta de dinheiro não pode ser usada como a única "desculpa" para a baixa qualidade. E um dos argumentos é que no ranking do IDH, o Brasil aparece pior classificado que países vizinhos notoriamente "mais pobres", como Bolívia e Peru.
Além disso, outro problema é que a maioria das crianças matriculadas no 3º ano tem mais de 8 anos. Portanto, a alfabetização continuará atrasada. Outro fator que deve ser combatido exaustivamente é o analfabetismo funcional. Estudantes que não conseguem entender o que leem, formular textos complexos ou resolver questões simples de matemática não podem ser aprovados nas suas respectivas séries. O resultado disso já é conhecido e estoura na cadeia produtiva: profissionais sem qualquer preparo para exercer a função para a qual deveria estar preparado.





