Desaceleração pode evoluir para crise
Ao mesmo tempo que comemora um excelente desempenho em março (+18,6% sobre fevereiro), a indústria paranaense faz previsão pessimista. Aumento dos juros, fim do maior incentivo fiscal (IPI menor) e redução da demanda. São fatores que devem desacelerar o crescimento industrial do Paraná.
O cenário acompanha a tendência nacional. Só que em termos nacionais o quadro é um pouco mais complicado porque outras variáveis conspiram contra o desempenho. Aumento da alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) dos automóveis, a nova coleção de artigos de vestuário com a entrada da nova estação e o reajuste no preço dos remédios elevaram a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) a 0,57% em abril, a maior alta para meses de abril em cinco anos. Em março, o índice havia sido de 0,52%.
No ano, o índice que é referência para as metas de inflação do governo - 4,5% este ano - já acumula uma alta de 2,65% e, em 12 meses, de 5,26%. A coordenadora de índices de preços do IBGE, Eulina Nunes dos Santos, destacou a Agência Estado que, mesmo com alguma desaceleração nos reajustes dos alimentos em abril (1,45%) em relação a março (1,55%), esses produtos continuam a pressionar o índice de forma generalizada. Segundo ela, os alimentos acumularam, no primeiro quadrimestre do ano, alta de 5,19%, a maior para o período desde 2003.
Entre os produtos investigados pelo IBGE, os destaques de alta em abril ficaram com o leite pasteurizado (7,43%), remédios (4,6%), automóvel (1,04%, sob pressão do fim dos benefícios do IPI) e vestuário (1,28%).
Mesmo com as pressões espalhadas no índice de abril, analistas econômicos esperam variação menor em maio. O economista-chefe do Banco Schahin, Silvio Campos Neto, espera que a taxa este mês não ultrapasse 0,5%, com a perda de ritmo amparada numa provável continuidade do processo lento de altas menores do grupo de alimentação e também numa desaceleração em itens de vestuário e remédios. A perspectiva de melhoria no cenário da inflação em maio, entretanto, não impediu que a taxa do primeiro quadrimestre tenha levado Campos Neto a rever para cima, de 5,2% para 5,5%, o IPCA fechado do ano.





