Se já não tivessem campo livre para fazer o que desejam, os deputados estaduais do Paraná agora não querem ser investigados pelos integrantes do Ministério Público (MP) e sim, apenas, pelo procurador-geral da Justiça, que é a autoridade superior desse órgão. Em outras palavras, um foro especial. Uma pergunta que não quer calar é o que há de favorecedor nesses foros, que todos os políticos querem. Esta pergunta necessita de uma resposta das mais altas cortes do Poder Judiciário, porque os cidadãos começam a indagar se há ali um recanto do paraíso onde os pecados eventualmente são perdoados ou abrandados.
O Ministério Público tem como função a defesa da sociedade e, pela vontade dos deputados, o povo que é aí representado não poderia investiga-los por via desses membros. A ser aprovada essa proposição, já fermentando as discussões na Assembléia Legislativa, todos os demais integrantes do Ministério Público não poderão propor ações contra esses parlamentares. Alguns se dizem perseguidos por promotores, mas é interessante que homens públicos honrados nunca se queixaram de tal ''perseguição''. Se o líder do Governo na Assembléia, Luiz Claudio Romanelli, afirma que ''tem promotor de Justiça que age por motivação política'', deve-se buscar saber qual seja essa política - se é a partidária ou a da busca da sanidade das instituições. Porque em tudo existe uma razão política e assim também agem essas sentinelas das salvaguardas do povo. Porque a política é um conjunto de princípios e tem a ver com a vida dos cidadãos.
Os deputados paranaenses se baseiam no que fizeram os colegas mineiros, que acabam de promulgar lei determinando competência exclusiva da Procuradoria Geral da Justiça para investigar atos praticados por autoridades graduadas. Exemplos bons para a população são mais difíceis de adotar, mas quando algo os beneficia, os políticos sabem onde encontrar os modelos, os precedentes e as jurisprudências. Os deputados estão no momento em conflito com os promotores, porque acaba de expirar o prazo dado pelo MP para os parlamentares se manifestarem sobre os parentes que empregaram em cargos de comissão. A recomendação do MP é que esses contratados sejam demitidos. O que os deputados fazem é, portanto, um oportuno revide. Por coisas assim é que alguns promotores são qualificados de perseguidores de políticos.
Não há dúvida de que, como afirma o deputado petista Tadeu Veneri, essa proposta de extinguir a ação dos promotores sobre os parlamentares é um resquício da ditadura. Será preciso sempre repetir o chavão de que se os políticos não devem, nada têm a temer. Curioso é que a investida da Assembléia ocorre justamente numa hora em que o governador declara guerra ao Ministério Público, por causa das investidas desse órgão contra o nepotismo no Executivo. Certo é que o chefe do Governo também se insurge, e com razão, contra os altos ganhos dos promotores, mas, absurdos por absurdos - num país de grandes misérias sociais e de atendimentos prioritários de baixa qualidade - os salários elevadíssimos estão presentes, em igual intensidade, em todos os Poderes. A derrubada dessas benesses milionárias deveria ser geral.

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