Deputados frustrando o eleitorado
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quinta-feira, 25 de janeiro de 2007
PT presta um desserviço se pemitir que isso aconteça 
André Vargas (de Londrina) e Enio Verri (de Maringá), ambos do PT e eleitos deputados federal e estadual, respectivamente, estarão frustrando o eleitorado se aceitarem funções de Secretários de Estado. O primeiro é cotado para ser Secretário do Trabalho e o segundo para Secretário do Planejamento. A opinião pública, e especialmente os que votaram nos dois, devem solicitar ao governador Roberto Requião que evite isso, e se o propósito for contemplar as duas cidades e o PT, não faltam outras lideranças à altura. Porque é um desperdício - especialmente no caso de Vargas - trocar a relevante função de integrante do Congresso Nacional para assumir uma Secretaria de pouca expressão, como a do Trabalho. E mesmo que fosse a mais importante delas.
O que surpreende é que a própria direção do partido tenha concordado com o abandono da função para os quais os dois foram eleitos. Vargas é presidente do PT no Paraná e deve estar desejando a Secretaria, porque até agora não se manifestou. Ele, que foi vereador em Londrina e deputado estadual (agora em final de mandato) veio trilhando por uma promissora carreira política, até alcançar a Câmara Federal, mas poderá perder conceito junto ao eleitorado e à opinião pública se não respeitar a confiança que lhe foi depositada nas urnas. Será a interrupção de uma trajetória - um pensar pequeno - e certamente a memória popular não se esquecerá. Se o propósito é experimentar o sabor do cargo de Secretário e mais tarde assumir no Congresso, tanto pior, porque iniciará na primeira função uma obra que não irá continuar, e perderá tempo enquanto estiver afastado do cargo de deputado.
Mais do que outra função pública, o Paraná precisa muito mais de um deputado federal - que apresente bons projetos de lei, proponha reformas e revele-se um valioso parlamentar - mesmo sabendo-se que seu suplente (Dito Vitorassi, de Foz) assumiria. Sem desprezo pela Secretaria do Trabalho, insiste-se que o governador poderá atender da mesma maneira o PT convidando outros membros do partido para os dois cargos. André Vargas deseja ser prefeito de Londrina - conforme manifestou a este Jornal - mas ou está temeroso de enfrentar o difícil encargo de Brasília ou deseja ganhar votos populares por via de uma Secretaria como esta, que se presta muito à causa da assistência social. Se o PT deseja ''apoiar o Governo estadual'', no dizer da petista Gleisi Hoffmann, poderá fazê-lo com melhor proveito a partir de um assento na Câmara Federal. Respeitada a proporção, o mesmo se dá no caso do deputado estadual eleito Enio Verri. O PT não presta um serviço público ao aceitar esses remanejamentos, mas ao contrário, e certamente o governador Roberto Requião se sentiria mais confortável se não tivesse de fazer essa composição política.


