Curitiba – O ritmo acelerado das votações nas últimas semanas de trabalho da Assembléia Legislativa divide as opiniões dos deputados estaduais paranaenses. Para 41% dos parlamentares, projetos polêmicos acabam sendo votados a toque de caixa, sem que haja tempo para analisar devidamente as propostas. 44% dos deputados entretanto acreditam que a dinâmica dos trabalhos é natural para os últimos dias do período legislativo. Oito dos 54 deputados estaduais não foram encontrados pela Folha para comentar o tema.
  Para o presidente da Assembléia, Hermas Brandão (PSDB), não houve atropelo nas votações em nenhum momento em dezembro. ‘‘As sessões do final de ano tem tanta validade quanto qualquer outra realizada. Existe um esforço para tentarmos votar tudo o que é possível, mas dizer que não há tempo para analisar os projetos não corresponde a verdade. Um exemplo foi a aprovação das contas do governo de Lerner e Requião, que já estavam pendentes há mais de dez anos. Como alguém pode dizer que não teve tempo para analisá-las’’, questiona Brandão.
  A aprovação das contas, que se deu na penúltima sessão legislativa, foi um dos temas mais polêmicos discutidos na Assembléia em dezembro. ‘‘Faz parte de uma cultura de acumular os trabalhos e colocar uma série de projetos polêmicos para diminuir o impacto junto à população. As contas foram aprovadas no mesmo período que o aumento do IPVA, e outros temas polêmicos. A sociedade não tem como analisar o que está sendo votado’’, acredita o líder da bancada do PMDB na Assembléia, Nereu Moura.
  Para o deputado Geraldo Cartário (PSL), o adiamento da votação do Código de Organização e Divisão Judiciária (CODJ) para o ano que vem é um exemplo de que a Assembléia não permite votações sob pressão. ‘‘Eu mesmo tinha vários projetos que não pude apresentar porque seriam rejeitados antes que os meus colegas o apreciassem. Até mesmo temas como a criação do fundo de previdência para os deputados, que era de interesse dos membros da Casa, foram adiados’’, diz Cartário.
  Os deputados estaduais foram ouvidos em um levantamento realizado pela Folha em parceria com a Universidade Federal do Paraná, entre os dias 2 e 12 de dezembro. Oito dos 54 deputados não foram encontrados pela reportagem para comentar o assunto: Antonio Carlos Belinati (sem partido), Carlos Simões (PTB), Cezar Silvestre (PPS), Irineu Colombo (PT), Nelson Garcia (PFL), Plauto Miró (PFL), Ricardo Chab (PMDB) e Antonio Baratter (PDT).

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