O delegado da Polícia Federal Luiz Pontel instaurou inquérito para apurar indícios de compra de votos pelo deputado estadual Antonio Carlos Belinati (PSL), candidato à reeleição. No sábado pela manhã, após uma denúncia anônima, dois policiais militares à paisana, acompanhados dos promotores eleitorais Cláudio Esteves, Antônio Winckert de Souza e Leonir Batisti, prenderam Valdemar Cláudio da Silva em flagrante. O acusado estava em um bar no conjunto São Lourenço (zona sul) e é acusado de comprar votos para o deputado.
No bar, Silva estava com uma lista de 20 nomes, acompanhados dos respectivos números de títulos de eleitor, zona e seção eleitoral. ''Pelas informações que recebemos, na terça-feira eles seriam conduzidos por uma pessoa identificada como Vilma à Chácara Vitorino, para receberem R$ 30,00'', explicou o promotor Winkert. A chácara, no patrimônio Espírito Santo (zona sul), pertence à família Belinati.
No seu depoimento à PF, Silva confessou ter entregue anteriormente outra lista, com 70 nomes, a Vilma. Ele está detido no 2º Distrito Policial e vai responder a processo por crime eleitoral, com possibilidade de pena de até quatro anos.
A prisão de Silva teve como testemunhas o proprietário do bar e três pessoas que assinaram a lista. Na tarde de sábado, uma equipe de policiais federais esteve na Chácara Vitorino e apreendeu material de campanha. ''Se o processo concluir que o candidato Belinati cometeu crime eleitoral, ele pode ser condenado a quatro anos de prisão e multa. Também pode ter seu registro ou diploma de candidato cassado'', afirmou Esteves.
''Essa pessoa estava sentada em um bar e disse que a lista era do deputado. Desconhecemos qualquer lista nesse sentido. O deputado fez uma campanha modesta, desconhecemos a procedência dessa lista e não existe nenhuma ligação com o deputado'', rebateu a advogada de Antonio Carlos, Lucília Dias. ''O que eles apreenderam na chácara eram relações de malas diretas que enviamos pedindo votos.''
Ontem, o juiz da 157 Zona Eleitoral, João Luiz Clève Machado, determinou a intimação da Rádio Londrina AM para que se abstivesse de fazer propaganda eleitoral e requereu cópias da programação de ontem da rádio. ''Recebemos denúncias por telefone de pessoas que estavam ouvindo a rádio e disseram que o (ex-prefeito) Antonio Belinati estaria fazendo propaganda eleitoral durante seu programa, supostamente para seu filho (Antonio Carlos)'', relatou o promotor eleitoral Batisti. ''Requeri a intimação da rádio para paralisação de qualquer propaganda eleitoral e foram requisitadas as fitas de toda programação.''
O juiz informou que hoje será feita a degravação das fitas. ''Se confirmado crime eleitoral, a rádio poderá ser multada e quem divulgou e o candidato poderão ser penalizados. Temos que ver o crime que se enquadrou'', acrescentou.
De acordo com o proprietário da rádio, João Carlos Dalcol, as fitas com a programação serão entregues à Justiça hoje. ''Houve a solicitação de fitas e eu vou entregar as fitas amanhã'', resumiu. O ex-prefeito não foi localizado.

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