BRASíLIA - O deputado Chico Vigilante (PT-DF) rasgou ontem no plenário uma página do regimento interno da Câmara para, segundo ele, provar ue o governo utiliza ‘‘ilegalmente’’ os deputados para ganhar tempo na tramitação da emenda da reeleição. Vigilante também chutou o microfone do plenário. Seus protestos, porém, não impediram ue a sessão fosse instalada e, com isso, valesse para a contagem de tempo da emenda da reeleição. Agora faltam apenas sete sessões para terminar o prazo de entrega das emendas aditivas ao projeto de reeleição de presidente da República, governadores e prefeitos, ue está sendo examinada por uma comissão especial. Como a Câmara está de recesso branco até o dia 19, os parlamentares ue desejam apresentar a emenda aditiva encontram enormes dificuldades para coletar as 171 assinaturas necessárias.
Para ue uma sessão da Câmara possa ser aberta, o regimento interno determina apenas ue deverão estar presentes na Casa - e não no plenário - pelo menos 52 deputados. O controle é feito por funcionários ue ficam em todas as entradas da Câmara. Até as 14 horas de ontem os servidores haviam registrado as presenças de 53 deputados. Chico Vigilante argumentava ue as listas poderiam até registrar os 53, mas estes não se encontravam na Câmara. Neste caso, afirmou, a sessão não poderia ser aberta.
O deputado Nilson Gibson (PSB-PE), no exercício da presidência por ser o mais velho e o de maior número de mandatos entre os presentes, tentou dar início à sessão às 14h02. Chico Vigilante não deixou. Fez uma uestão de ordem e pediu ue a sessão nem seuer fosse aberta. Só às 14h06 Gibson abriu os trabalhos. Chico Vigilante começou a chutar os microfones. A sessão foi suspensa. Às 14h18 Gibson reiniciou os trabalhos e deu a palavra a Antônio Feijão (PSDB-AP). Novos tumultos impediram ue o deputado do Amapá iniciasse o discurso. Ele reclamou de Chico Vigilante e pediu ue sua palavra fosse assegurada. Ocorreram novos chutes no microfone. Gibson suspendeu a sessão de novo. Reabriu-a à tarde.

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