Depressão: estigma de um sofrimento
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segunda-feira, 04 de novembro de 2013
Antonio Valeriano Antunes Lopes 
É muito difícil, senão impossível, compreender o que se passa com quem tem depressão. O que parece preguiça ou falta de vontade é, na verdade, um severo esgotamento físico e mental, associado a um mórbido e cruel mal-estar diário, contínuo.
Há um desiquilíbrio químico brutal no organismo que leva às mais diversas reações, desde sudorese à taquicardia.
Insônia recorrente, mal-estar estomacal, estresse muscular, confusão de pensamentos, falta de memória, falta de apetite, irritabilidade, dores pelo corpo, são apenas alguns dos sintomas.
Por mais que haja esforço e por maior que ele seja, tudo é muito difícil. Ele (esforço) existe com toda a força que é possível, pois, se não existisse, com certeza, a morte chegaria rapidamente.
Viver e conviver com essa doença é, como alguém disse, "desumano", pois ela vai minando suas forças, dia após dia. A sensação de morte, que acompanha esse mal, é uma amiga cruel e, não rara as vezes, o depressivo quer matar o sofrimento.
A qualidade de vida, depois que a doença chega, com medicamentos, terapia, etc., passa a ser apenas razoável, nunca mais será como outrora (a não ser pela vontade de Deus, se assim Ele quiser).
Há que se fazer, a bem da verdade, a distinção clara, de falta de vontade e falta de energia (energia vital).
O que falta, e é muito cruel, é energia. Por mais vontade que exista, sem energia, não se vai a lugar algum.
Essa doença insiste em apagar, todos os dias, a chama da vida. Quem é atacado cumpre lutar, e muito. Somente se rendendo a Deus e pedindo a Ele, é possível suportar essa luta.
Claro que vontade é um componente de extrema importância na vida, mas sem energia, tudo se torna inócuo.
Parece que a energia gasta, roubada, diariamente, é muito superior à produzida, daí, o desequilíbrio.
Num avião, podemos dizer que a vontade é o plano de voo e a energia é o combustível.
Sem plano de voo é possível voar, mesmo sem direção, mas, sem combustível, o avião não se mexe.
Por mais que falte vontade, com energia se vive. Com falta de energia, você luta em desvantagem. É como ir para a guerra com um pedaço de pau a enfrentar fuzis, canhões, bombas, tanques, etc.
As pessoas dizem entender, imaginar o que é essa doença, o que não é verdade. Alguém só poderá compreendê-la se for vítima ou se Deus revelar e aí, então, por amor, terá uma noção do que é esse flagelo, esse sofrimento, essa profunda dor na alma.
Nem pastores, nem padres, nem rabinos, nem médicos, nem psicólogos, nem homens ou mulheres, nem negros, brancos ou amarelos, nem cristãos, nem muçulmanos, nem ateus, estão isentos desse mal e, da mesma forma, sequer imaginam seus estragos na vida de quem com ele (mal) convive.
A depressão nunca vem só, traz consigo uma série de outras doenças: doenças autoimunes, problemas tireoidianos, síndrome do intestino irritado, síndrome metabólica, etc.
O combate à doença deve ser por oração, tratamento médico, atividade física, terapia, repouso e paciência, além da compreensão das pessoas, principalmente as mais próximas. Muito de Deus, medicamentos, psicoterapia, paciência e compreensão todos os dias, tolerância sempre, amor em doses gigantes, com certeza, produzirão um resultado efetivo e muito melhor do que cobranças, comparações, intolerância, julgamento e críticas.
Lembre-se: você poderá dar a mão para retirá-lo ou afundá-lo, de vez, no buraco em que ele se encontra, correndo o risco, então, de que ela busque o fim do sofrimento, olhando o mundo do lado de lá.
"Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver a vida, apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise. É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida" (Augusto Cury).
ANTONIO VALERIANO ANTUNES LOPES é servidor público em Londrina
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