Depredação da Amazônia retoma intensidade
Enquanto o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente, o Ibama, festeja o seu vigésimo aniversário e proclama que foram ''20 anos cuidando do Brasil'', o noticiário desta semana é que a depredação da floresta amazônica ganhou intensidade no primeiro semestre deste ano. Não se pode ignorar alguns feitos do Ibama - que foi criado para isso e tem um elevado custo para a nação -, mas o que existe de proteção à Amazônia e à Mata Atlântica é mais discurso do que realidade.
Nestes poucos meses de 2009 derrubou-se mais árvores da grande floresta do que no ano passado - parte delas destinadas às serrarias. O extravagante ministro Carlos Minc (sem dúvida uma voz em defesa do ambiente) mantém-se no cargo e é pródigo em palavras, mas tem poder limitado. Assim foi também com a idealista e bem intencionada Marina Silva que acabou deixando a função por desencanto e dignidade e por sentir-se incômoda à testa de um Ministério que pouco ou nada podia fazer.
Quem manda é o presidente da República, e no caso do atual ocupante do trono - Luiz Inácio Lula da Silva - sabe-se que suas preocupações são outras. Ele tem conhecimento do que ocorre, embora em diversas outras situações tenha usado a desculpa de que ''nada sabia''. A informação de agora sobre a continuidade da devastação são do insuspeito Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, e as imagens mostradas pela televisão atestam a triste realidade. Portanto, o chefe do Governo sabe do que ocorre. Se proteger as matas rendesse os demominados ''votos populares'' - do ''povão'', como se diz, e sem conotação pejorativa - o presidente Lula teria mais olhos para elas. Existe no Brasil um vigoroso movimento de ONGs e pessoas em defesa do meio ambiente, aí incluída a defesa das florestas, mas para algo de positivo acontecer é necessária a ação do mandatário supremo, porque só ele é capaz de mover as Forças Armadas (as únicas capazes) e impor um fim no desmatamento, nas queimadas e na extração madeireira e de outras riquezas. Tudo isso está acontecendo sob as vistas do Ibama que também não tem grande poder de policiamento e mobilização. Ao contrário, tem se ouvido falar de conivência de fiscais em irregularidades.
Não será com diplomacia vestida de colete, mas pelo uso da força bruta que se eliminará esses crimes ambientais. E o emprego dessa força só depende de uma palavra (e esta sim seria de grande validade) proferida pelo mandante máximo da República.





