O número de casos de pessoas que conseguiram o benefício do auxílio-doença para tratamento de transtornos mentais causados por álcool e drogas aumentou 80% no Brasil, nos últimos seis anos. Entre 2007 e 2013 a alta foi de 40% no Paraná, quarto Estado que mais recebeu os auxílios relacionados a esses transtornos, ficando atrás de São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul.
Somados, os números de auxílios-doença concedidos a segurados da Previdência dependentes de álcool (14.420 benefícios), cocaína ou crack (8.541) e múltiplas drogas ou substâncias psicoativas (25.510) – aquelas que podem ter ou não prescrição médica – totalizaram 48.471 benefícios no País no ano passado. Em 2007, foram 26.789. No Paraná, o número saltou de 3.035 auxílios-doença pagos em 2007 para 4.256 em 2013.
As informações reveladas na principal reportagem de hoje da Folha de Londrina merecem uma atenção da sociedade e do poder público. Como era de se esperar, o levantamento mostra que o afastamento do trabalho para tratamento da dependência de cocaína e de crack subiram assustadoramente.
A primeira questão é onde e como as pessoas que buscam o INSS para obter o auxílio-doença estão recebendo atendimento multidisciplinar para vencer o vício? É preciso lembrar que embora a liberação do benefício tenha crescido desde 2007, a maior parte dos dependentes químicos em tratamento está fora dessa estatística. São pessoas que não têm tempo de contribuição junto ao INSS, não têm documentação necessária, não recebem acompanhamento em instituições públicas ou beneficentes, entre outros requisitos.
Em segundo lugar, é preciso questionar a eficiência do tratamento. Em Londrina, a Associação Paranaense de Psiquiatria avalia que a falta de infraestrutura prejudica o serviço dos Centros de Atenção Psicossocial (Caps). Muitas vezes, o atendimento representa mais uma consulta de emergência do que a oferta de um programa específico para o tratamento das pessoas com dependência química.

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