Dependência aumenta entre as mulheres
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domingo, 19 de janeiro de 2003
Rosana Félix<br>Equipe da Folha 
Curitiba - A presença de mulheres nas clínicas de reabilitação de dependentes químicos é cada vez maior. Segundo especialistas, as mulheres sempre consumiram álcool e outras drogas. Mas agora elas acompanham o ritmo dos homens no consumo de bebidas e entorpecentes e também tomam muitos emagrecedores e calmantes, potencializando os riscos da dependência química.
Segundo o médico e teraupeta José Carlos Vasconcelos, de uma clínica de Curitiba, as mulheres representam hoje de 20% a 25% dos pacientes. Há dez anos, elas eram apenas de 5% a 10% dos internados no local. ''A gente percebe a cada ano que passa a procura maior para internamentos femininos'', afirma. Uma das principais causas desse aumento é a grande oferta de remédios para emagrecer, que contêm anfetaminas e tranquilizantes, explica o médico. ''De certo modo, a mulher tem um leque maior de drogas para consumir, por causa do excessivo cuidado com a estética'', relata.
O coordenador de outra clínica, Celso Maçanero, confirma a existência desse problema. ''A mulher fica com dupla dependência, porque muitas vezes já consome álcool e até tabaco, e toma também emagrecedores'', relata. Maçanero diz que a grande maioria das pacientes internadas são polidependentes, isto é, consomem várias drogas. ''A mulher tende a esconder o alcoolismo. Enquanto ela trabalha, ela não vai beber, mas toma calmantes para aguentar a jornada. Depois do expediente ela vai beber'', explica.
De acordo com Maçanero, as mulheres vão aos médicos e conseguem prescrição de remédios para emagrecer porque não contam que já são dependentes. ''Mesmo consumindo sempre álcool, elas não contam ao médico. Se o médico soubesse do histórico completo não daria o remédio, porque quem já tem alguma dependência corre muitos riscos ao ingerir emagrecedores, porque eles vão gerar mais uma dependência'', observa.
Na clínica coordenada por Maçanero, para cada cinco homens internados, há três mulheres. ''A dependência química é uma doença. Sendo assim, ela não escolhe sexo, raça, credo ou idade.'' Estima-se que 10% da população mundial tenha predisposição para dependência química. A doença vai se desenvolver se for iniciado o consumo de drogas.
Para Maçanero, as mudanças culturais também incentivam o aumento de consumo de entopecentes e álcool por parte das mulheres. ''Antigamente, as donas de casa lavavam a louça com um copo de cachaça ao lado. Mas a conduta das mulheres mudou. Agora elas acompanham os colegas e professores para beber em bares ao lado da faculdade e consomem também drogas pesadas.''


