A hipótese das denúncias se transformarem num incentivo ao processo de privatização das IES é o maior medo dos líderes do movimento de Unidade em Defesa do Patrimônio Público na UEM. O professor-doutor Paulo Cezar de Freitas Mathias, do Departamento de Biologia Celular e Genética, diz que já ouviu opositores fazendo esta previsão. ‘‘Não podemos perder essa conquista. O TIDE é o resultado de um trabalho árduo e que já provou sua eficácia em favor do desenvolvimento tecnológico para educação.’’
Para ele, a expansão do ensino superior privado e os baixos salários são os culpados dessa situação. Durante a greve das IES, no final do primeiro semestre, alguns docentes de Maringá e Londrina declararam publicamente a quebra da exclusividade ao TIDE para ganhar mais dinheiro na iniciativa privada. ‘‘A baixa remuneração jamais pode servir de justificativa para o descumprimento do contrato com o contribuinte, que é quem sustenta a universidade. Aquele que estiver insatisfeito deve ficar apenas com a iniciativa privada e dar espaço para jovens que não encontram vaga para dar aula na rede pública.’’
A indignação de Rodrigo Delfino, membro do Diretório Central dos Estudantes (DCE) em Londrina, é tão grande que ele sugere o fim deste regime de trabalho. ‘‘Há um jogo de interesses entre a reitoria e os professores, que impede o fim dessa situação imoral’’. Para o estudante, a autonomia total da universidade mudaria tudo isso.
O professor Gabriel Giannattasio, do Departamento de História da UEL, é da mesma opinião. Embora acredite que a autonomia total da universidade só acontecerá quando a comunidade acadêmica vencer um movimento consciente e programado que impera dentro das IES a favor do esvaziamento. ‘‘Todos sabem e sentem que isso acontece e até colaboram, mesmo inconscientemente’’. Para ele, a independência em relação ao governo trará mudanças na legislação das IES, o que na prática significará grandes benefícios.
Na UEM, o TIDE é realidade desde 1987, abrangendo cerca de mil professores, segundo o assessor de planejamento Neio Lúcio Peres Gualda, que não soube dizer o quanto isso significa na folha de pagamento. Já Mathias, apesar de desconhecer o número exato de professores adeptos a esse regime de trabalho na UEM, acredita que uma minoria burle a exclusividade, o que não diminui o problema.
Para provar a validade do TIDE, Gualda afirma que o número de bolsas concedidas pelo Conselho Nacional de Pesquisa Científica (CNPq) a professores da UEM tem aumentado de um ano para o outro. De acordo com ele, isto ocorre graças aos resultados obtidos com a dedicação exclusiva.
O status de pertencer a uma instituição pública de bom nível pode explicar a ousadia de professores que enfrentam o risco de perder o TIDE. Na região de Maringá, o assédio de universidades particulares sobre professores da UEM tem crescido rapidamente nos últimos anos. ‘‘São anos e anos de pequisa vendidos a instituições que não investem nada em pesquisa. A solução para o problema é o aumento da gratificação do TIDE e a reposição das perdas salariais da categoria’’, opina Mathias. (B.R.)

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