Denúncias de fraude no Enem, de novo
As denúncias de fraude no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) parecem um filme repetido várias vezes. Anualmente é registrado algum caso, principalmente de vazamento do conteúdo da prova. Foi o que aconteceu também desta vez. Estudantes do Piauí denunciaram à Polícia Federal que receberam, via aplicativo de celular, antes do início da prova foto da página do caderno de questões com o tema proposto para a redação: "Publicidade infantil em questão no Brasil".
Trata-se de acusação grave. Mais uma vez a credibilidade do exame está em xeque. Importante lembrar que mais de 8 milhões de pessoas se inscreveram para fazer o teste, uma vez que as notas obtidas podem ser usadas para concorrer a vagas em instituições públicas e particulares, financiamento público dos estudos e até mesmo para concluir o Ensino Médio. Um exame com essa importância não pode ser colocado em dúvida todos os anos, como tem sido rotina.
O maior escândalo foi registrado em 2009, quando as provas foram roubadas das dependências das gráficas contratadas para impressão no Rio de Janeiro. Naquele ano o caso provocou uma abstenção de 40% nas provas enquanto várias instituições de ensino deixaram de usar o exame como instrumento de ingresso ao curso superior.
Agora essa denúncia tem que ser investigada com o máximo rigor. A Polícia Federal vai periciar o aparelho de telefone celular do estudante que divulgou o caso. O trabalho tem que ser feito com agilidade e imparcialidade. Os candidatos não podem ser prejudicados. Além disso, a produção de uma redação é muito complexa e demanda conhecimento prévio do assunto. Ter informação do tema que será proposto possibilita pesquisa e é um privilégio que certamente beneficia o candidato. Fatos que não devem ser aceitos. Para sua correta aplicabilidade, o Enem tem que ter credibilidade. Se isso não for possível, o sistema de avaliação tem que ser modificado.





