Transformar o Brasil num país de denuncismo contra a má aplicação de verbas públicas e contra a corrupção mais parece a implantação de um estado policial, mas isto é necessário e tem de ser feito. E não apenas fiscalizar o destino dos repasses de verbas a municípios, estados e ONGs (como agora se anuncia), mas vigiar também o Governo federal. No momento a Advocacia Geral da União (AGU) está criando em todo o País grupos especializados em fiscalizar o destino dos recursos federais repassados por convênios, porque são muitas as denúncias de irregularidades.
O objetivo é também prevenir a ocorrência de tais casos, porque ''depois do desvio é muito difícil recuperar os recursos'', afirma à FOLHA representante da AGU. Segundo essa fonte - e conforme este espaço de opinião tem ressaltado -, nem sempre a irregularidade ocorre por má-fé, especialmente no caso dos municípios, mas por despreparo de prefeitos e auxiliares, resultando inclusive nas frequentes rejeições de contas pelos tribunais pertinentes.
Isto remete, novamente, para a tese de que a legislação eleitoral deveria ser modificada e exigir que todo candidato a cargo eletivo tenha formação política superior ou curso equivalente (algo que precisa ser criado, porque inexiste no Brasil). Mas óbvio que não se pode chegar à ingenuidade de pensar que é isto apenas, porque os arranjos para desvios da finalidade de verbas e para a corrupção são prevalecentes. A fiscalização por esses grupos da Advocacia da União precisa contar com a denúncia dos próprios servidores públicos, de integrantes de ONGs e da população. Isso pode ser feito à própria AGU ou ao Ministério Público. Medidas saneadoras são sempre necessárias neste país onde os poderes governamentais vieram perdendo credibilidade, pelos tantos casos de corrupção e mau uso de dinheiro do povo. Porque o desmando não é apenas aquele clássico, como o do roubo explícito, mas também a aceitação das mordomias pelos homens públicos mesmo não envolvidos em denúncias que consentem nos elevados ganhos, nas polpudas verbas de representação e no excesso de assessorias e benefícios.
Não é demasiado afirmar que, no mais dos casos, onde há governo há malversação de dinheiro público. Ao lado dos males sociais está a presença muitas vezes nefasta dos governos. Questiona-se a idoneidade de quem é fiscalizado mas, sem generalizar, chegou-se a tal ponto no Brasil que, de tudo em que há dedo do Governo, a população desconfia.

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