A semana começa com um clima pesado em Brasília. A fervura política deve impedir, mais uma vez, que o governo estude ações na área econômica. Enquanto os setores produtivos pedem a urgente desobstrução da economia, o Planalto vai ter que contornar a crise que se instalou com as denúncias de corrupção nos Correios, e dias depois, no Instituto de Resseguros do Brasil. Representações do agronegócio tentam diálogo com o governo para sugerir medidas de emergência, como a liberação de linhas de financiamentos, mas não deve ter chance. Não agora, pelo menos. Há um clima instável no governo. A revista ''Veja'' deste domingo traz novas denúncias, uma espécie de desdobramento do escândalo publicado na semana passada. Soma-se aí o escândalo do Instituto de Reseguros. Segundo ''Veja'', o governo Lula, em seus trinta meses, nunca esteve tão acuado. A crise que se seguiu à divulgalção do vídeo da corrupção nos Correios espalhou o receio de que o caso acabasse se multiplicando em outros escândalos. É que o alto funcionário acusado, na semana passada, Maurício Marinho, descreve a corrupção nos Correios e relata a existência de esquemas semelhantes em outras estatais. O governo, pelo jeito, incorre no mesmo erro do caso Waldomiro Diniz, de abafar a CPI. Bem que o Planalto poderia deixar a CPI avançar livre, permitindo desta forma, que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva saia incólume, ileso, do episódio. Mas o que se observa é um esforço para neutralizar também esta CPI já requerida, mas ainda vulnerável. Ao Planalto não interessa que se apure a verdade. Na mídia o discurso de assessores e da base do governo é unificado: todo apoio para que a CPI apure os fatos; nos bastidores, porém, a julgar pelo testemunho de ''Veja'', o esforço é outro. Há indícios de que membros do PT não escapariam das investigações. Sobre crise política é bom deixar claro que o governo nega. O ministro José Dirceu, da Casa Civil, declarou que ''a partir do Congresso estão querendo instalar uma crise artificial para desestabilizar o governo''. (Até parece Collor falando quem se lembra?). Dirceu foi enfático: ''O governo vai continuar governando, não vamos nos envolver'', passando, desta forma, a idéia de que o governo está tranquilo. De fato, pelo menos Lula parece muito à vontade. Enquanto ministros e aliados se desgastam para minimizar novos escândalos, Lula empreende viagem a Coréia do Sul e Japão. Em entrevista ao jornal de maior circulação na Coréia do Sul ''Chosum Ilbo'' , Lula se gaba de ter surpreendido aqueles que duvidavam do sucesso do seu governo. E o jornal diz que Lula parece ser um ''homem de energia sem fronteiras'', tendo promovido uma recuperação da economia brasileira, que fez surgir termos como ''efeito Lula'' e ''choque Lula''.

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