Como a denúncia parte do vice-presidente da Associação dos Advogados Criminalistas de Londrina, deve ser avaliada pelas autoridades envolvidas com o sistema carcerário e por quantos, nos escalões superiores, tenham poderes de decisão a respeito. A denúncia referida e publicada ontem neste jornal tem a assinatura do advogado Antonio Carlos de Andrade Vianna e culpa a Corregedoria de Presídios de Londrina pelo episódio do espancamento e morte, cometidos por companheiro de cela, de um homem acusado de abuso sexual da filha. Não se sabe se falando em nome da Associação, embora identifique a sua condição de vice-presidente na publicação citada, o advogado declara que ''a responsabilidade é do Poder Judiciário local'', citando especialmente o juiz titular daquela Corregedoria. Acusa que o magistrado ''tem se mostrado mau gerenciador do sistema carcerário'', inclusive no que respeita à superlotação, que segundo o advogado é causa de constantes fugas de presos, de rebeliões e linchamentos. Um ponto relevante da denúncia é que, ''desde que a Vara de Execuções Penais em Londrina foi inagurada, há dez anos, não houve nenhuma iniciativa para que presos pudessem prestar serviços agrícolas e industriais'' e dessa forma pudessem cumprir as penas em regime semi-aberto, sem necessidade de mandá-los para Curitiba. Qualifica de comodismo o fato de até agora não haver sido criado o Conselho Penitenciário local, integrado por membros da sociedade. ''Falta iniciativa e empenho pessoal'', declara. Pela importância da questão carcerária, há que levar em conta as denúncias levantadas. Na verdade, é do conhecimento das autoridades e da opinião pública a superlotação e a promiscuidade dos presídios, cabendo indagar também aos responsáveis mais diretos pela carceragem como podem colocar num mesmo ambiente um preso daquela especificidade, quando sabem da sinistra ''tradição'' de linchamentos e sevícias por parte dos presos, em tais casos. Pensar que isto é proposital por parte dos carcereiros, é uma hipótese, ao menos com base no título da publicação do advogado: ''Morte anunciada''. Quanto às demais acusações, uma das mais sérias é a que estaria sendo dificultada a ressocialização do encarcerado, que ocorreria por meio de trabalho em colônias agrícolas ou atividades industriais, um experimento que está dando certo onde foi adotado, no Paraná. Se há comodismo da autoridade responsável pela Corregedoria, como se refere o denunciante, será preciso o Poder Judiciário tomar providências. Quanto aos linchamentos e outras práticas violentas, em casos do gênero, são coisas antigas e não constituem novidade. Se há, dentro e fora dos cárceres, os que aprovam essa barbárie, a parte sã da sociedade precisa insurgir-se contra isso. A denúncia está fornalizada e espera-se que não seja vã.

mockup