Com a chegada do período de maior incidência da dengue, toda atenção é necessária para reduzir o risco de proliferação da doença, especialmente eliminando pontos que possam acumular água parada. Veículos deixados em vias públicas entram nesse cenário como potenciais criadouros do mosquito Aedes aegypti.

Nesse sentido, a CMTU (Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização) intensificou a fiscalização e publicou notificações formais no Jornal Oficial do Município após tentativas sem sucesso de contato com os proprietários por correspondência registrada.

Onze veículos foram notificados pela companhia nesta semana por estarem em situação de abandono em diferentes regiões da cidade. A zona norte concentra o maior número de registros, com seis casos. No Conjunto Vivi Xavier são três veículos e o local onde eles estão chama atenção por ser um ponto crítico de veículos abandonados. Ainda na zona norte, há dois veículos abandonados no Parque Presidente Vargas e outro no Jardim Ilha do Mel.

A zona oeste contabiliza quatro casos, sendo um no Jardim Colinas, um no Maracanã e dois veículos no Jardim Columbia. Outros registros foi identificado na região central, na Vila Recreio.

De acordo com a CMTU, o abandono de veículos infringe o Código de Trânsito Brasileiro e o Ato Executivo municipal nº 081/2023. Os proprietários têm prazo de dez dias (até 15 de janeiro) para retirar os automóveis das vias públicas. Caso isso não ocorra, será feita a remoção para o pátio municipal.

Para reaver o veículo após o recolhimento, é necessário quitar débitos pendentes, como multas e impostos, além de arcar com as taxas de guincho e estadia e cumprir as exigências legais de regularização.

A Secretaria Municipal de Saúde de Londrina tem o desafio de manter em 2026 um cenário de redução dos casos de dengue no município. Dados divulgados pela pasta em agosto de 2025 mostraram queda de cerca de 90% nos casos confirmados em relação a 2024 e redução de 83% no número de mortes, indicando estabilidade na curva epidemiológica ao longo de 2025.

O último LIRAa (Levantamento Rápido de Infestação do Aedes aegypti), divulgado em novembro, indicou que Londrina encerrou o ano com Índice de Infestação Predial de 2,2%, percentual que, segundo os critérios do Ministério da Saúde, é considerado estado de alerta. Ainda assim, o índice ficou abaixo do registrado em 2024 e dos patamares observados nos anos anteriores.

Vale lembrar que esse último levantamento mostrou que quase a totalidade dos criadouros do Aedes aegypti foi encontrada dentro de residências, principalmente em objetos em desuso, vasos de plantas e recipientes para animais, o que reforça a necessidade de eliminar focos domésticos e áreas que favorecem o acúmulo de água.

Diante desse quadro, é preciso reconhecer que o enfrentamento da dengue não se resolve apenas com ações pontuais do poder público, embora elas sejam indispensáveis. A retirada de veículos abandonados das vias é uma medida correta, necessária e alinhada à responsabilidade sanitária, mas seus efeitos serão limitados se não houver o engajamento da sociedade.

A redução de casos no ano passado mostra avanços importantes, mas também deixam claro que o risco persiste e que a maioria dos focos ainda está dentro das casas, nos pequenos descuidos do dia a dia.

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