Campo Grande - Campo Grande já notificou neste mês 1.550 casos de dengue, sendo 27 de dengue hemorrágica. A informação é da Secretaria Municipal de Saúde, que admite haver um surto epidêmico na capital de Mato Grosso do Sul. Proporcionalmente, o número de casos é 15 vezes superior ao do Rio de Janeiro, que no mesmo período registrou 916 casos de dengue, dos quais 21 são de dengue hemorrágica.
Em Campo Grande há um caso para cada grupo de 428 habitantes; na capital fluminense, a média é um caso para cada grupo de 6.395 pessoas. O diretor-executivo da Secretaria Municipal de Saúde de Campo Grande, Eugênio de Barros, disse que a dengue ‘‘é uma batalha que estamos perdendo’’. Segundo ele, o número de doentes em Campo Grande é ainda superior ao número de casos notificados.
Barros disse que o grande problema deste ano foram as chuvas que começaram antes do previsto. Em janeiro do ano passado houve apenas 118 casos notificados. O período mais crítico de 2001 foi entre abril e maio, com cerca de 3.000 notificações, de acordo com informação da prefeitura.
Segundo Barros, o combate à dengue ainda enfrenta mais dois obstáculos: o grande número de imóveis desocupados na capital, cerca de 70 mil, o que dificulta o trabalho dos agentes de saúde.
Outro problema é a distribuição da dengue, praticamente uniforme em todo o município, independente da região. No início do mês, o vice-governador, Moacir Kohl (PDT), contraiu a dengue clássica.
O combate ao mosquito em Campo Grande pode ainda sofrer com a falta de inseticida: com a intensificação dos últimos dias, o estoque atual só deve durar até terça. Barros também afirma que houve lentidão no repasse de recurso para o combate à dengue pela Fundação Nacional da Saúde (Funasa). ‘‘Era para ter vindo no fim do ano, mas está chegando agora’’, disse.
De acordo com ele, 12 novos carros de combate à dengue estavam parados no pátio da Funasa por falta de emplacamento. O órgão municipal está fazendo o combate com apenas 12 carros. Para o coordenador regional substituto da Funasa, Jair Viana, a liberação de recursos obedece a um ‘‘cronograma normal’’. Viana confirma que os carros chegaram no final de dezembro, mas disse que eles estarão nas ruas amanhã.

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