Dengue e responsabilidade
O descuido com a prevenção da dengue colocou Londrina em situação de alerta epidemiológico e estado de emergência. O município está com índice de infestação do mosquito Aedes aegypti quase oito vezes acima do limite preconizado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), conforme novo Levantamento de Índice Rápido para Aedes aegypti (LIRAa). Os dados foram coletados entre outubro e novembro.
Dos 8.909 imóveis vistoriados pelos agentes de saúde para a pesquisa, 7,9% apresentaram criadouros do mosquito. Um dos bairros vistoriados apresentou 50% das casas com focos do Aedes. A OMS estabelece como limite para infestação do Aedes a marca de 1% dos imóveis. Até 3,9%, o cenário é de alerta. Acima disso, há risco de surto da doença.
A análise das estatísticas anteriores permite mostrar que a cidade não aprendeu com as lições do passado. Em 2003 e 2011 o município enfrentou epidemia da doença. Nesses dois anos, foram mais de 7 mil casos confirmados. Se agora o número de casos é menor, o cenário mostra-se pior: há risco de uma epidemia de dengue hemorrágica. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde de cada quatro pessoas com esse tipo de doença, três morrem. E, diante disso, vale lembrar que durante este ano o município não fez nenhum tipo de campanha educativa que alertava para o problema.
O prefeito Alexandre Kireeff tem a sua parcela de responsabilidade, uma vez que foi iniciativa sua não realizar nenhum tipo de propaganda. Divulgar os trabalhos do Executivo e suas obras até pode ser encarado como fator negativo e desnecessário, mas campanhas educativas e de conscientização da população não podem ser incluídas nesse conceito. O resultado dessa decisão Londrina colhe agora.
Três anos sem qualquer tipo de publicidade educacional nesse sentido certamente contribuíram para o resultado negativo divulgado ontem. Uma ampla campanha com esse foco seria muito menos custosa e consequentemente contribuiria para a redução do número de vítimas e de mortes.
Também importante acrescentar que a população tem que fazer a sua parte e não acumular lixo e não deixar água limpa parada nos quintais e entorno. É um esforço conjunto e que não tem descanso. O alerta e o estado de emergência decretados ontem são atitudes tardias e talvez adequadas para o momento, mas que certamente poderiam ter sido evitados.





