Demora arriscada
O Estado está perdendo a guerra contra as drogas. E em duas frentes. Falha vergonhosamente no combate ao tráfico - há muitos anos o País é rota internacional, com fronteiras continentais frágeis. Faltam pessoal - policiais federais, militares, etc. - e verbas para equipar os poucos homens que são responsáveis por patrulhar a gigantesca área.
O governo também peca na oferta por vagas em institutos que promovem a recuperação daqueles que sucumbiram ao vício e querem recuperar as rédeas da vida. E este talvez seja o lado mais trágico e perverso da falta de habilidade do poder público.
O retrato nada lisonjeiro foi destaque na edição de ontem desta FOLHA. E o exemplo da falta de ação governamental foi emblemático. A burocracia está impedindo a expansão da rede de atendimento aos dependentes de crack em municípios do Norte do Estado.
Beneficiadas pelo Plano Integrado de Enfrentamento ao Crack e outras Drogas, da Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas e Ministério da Saúde, cinco instituições de Londrina, Rolândia e Maringá aguardam há quase três meses a liberação de R$ 672 mil para ampliação dos leitos disponíveis pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Um tempo interminável - e inaceitável - para quem a cada dia vê a vida queimar nos cachimbos utilizados para o consumo da pedra.
Somente nas entidades londrinenses a verba seria suficiente para a abertura de 40 novos leitos. A quantidade em si seria insuficiente para atender o número cada vez maior de dependentes, mas já ajudaria a disponibilizar a possibilidade de uma vida nova para aqueles que quisessem deixar o mundo das drogas. Sem acesso ao devido tratamento, famílias dos dependentes se desesperam diante da impotência e do descaso.
Os traficantes aproveitam a ineficiência para manter o mercado com a oferta abundante de drogas, além da introdução de ''novidades'', como o recém-lançado oxi. O Estado precisa assumir seu papel e ampliar a luta contra os contraventores e a favor dos usuários de maneira mais efetiva e ágil. O tempo neste caso pode representar a diferença entre a vida e a morte.





