A Assembléia Legislativa do Paraná faz o que precisava ser feito ao acatar a decisão do Supremo Tribunal Federal de demitir, das funções públicas, parentes dos parlamentares. O ideal seria que o nepotismo não existisse e que a própria sensatez dos membros da Casa houvesse estabelecido isso como norma, sem a intervenção do Tribunal, mas ao menos está começando em todo o Brasil uma corrente de demissões dessa natureza. Só o governador Roberto Requião resiste. Um mau precedente.
  Espera-se que, no geral, não haja burlas e que por meio de formas camufladas não seja mantido o nepotismo cruzado, igualmente proibido. Também se espera mais obediência à própria responsabilidade, ou seja, que demitindo parentes sem concurso os postos não sejam preenchidos por outros apaniguados ou que o dinheiro economizado não acabe diluindo-se em outras mordomias – o que redundaria em trocar seis por meia dúzia. É lamentável que no Brasil se tenha de policiar a conduta de homens públicos como se fossem crianças que aprontam ao menor descuido.
  Há uma sobrecarga funcional nos quadros da administração governamental brasileira, por isso o elevado custo da máquina pública, em todas as suas esferas. Ressalvadas as funções indispensáveis das áreas da saúde, da educação e da segurança e as tantas outras relevantes, é sabido que há inchaço no funcionalismo. Não mais admitir parentes e demitir os atuais é uma primeira medida, mas há que enxugar muito mais no gasto com o pessoal. Fazer carreira pública é ainda uma ambição, por causa das muitas garantias. Porque nesse reduto há abundância de dinheiro, facilmente arrecadável do meio produtivo. E neste reclama-se competência gerencial e a adoção de múltiplos mecanismos para manter o equilíbrio dos negócios. Essa mesma obrigação não pesa no conceito dos que exercem atividade pública.
  A governantes com prazo certo de mandatos de quatro ou oito anos, assim como a ocupantes de outros cargos eletivos, é mais difícil assumirem responsabilidade perante a empresa pública, porque, com raras exceções, eles não têm a preocupação de preservá-la. Eis que, embora usufruam dos muitos benefícios, é algo que não lhes pertence e eles nada têm a perder se a sua gestão vai bem ou vai mal.

mockup