No começo do mês, a população de Cambé (Região Metropolitana de Londrina) comemorou a chegada de duas médicas cubanas do Programa Mais Médicos, do governo federal. Os estrangeiros estão sendo contratados pelo Ministério da Saúde para aliviar a falta de médicos no serviço de atendimento à saúde básica do interior e da periferia das grandes cidades.
Mas o alívio nos postos de saúde de Cambé pode virar uma ilusão, caso a informação publicada na edição de ontem da Folha de Londrina realmente se concretize. Enquanto as estrangeiros se adaptam para aprender a língua portuguesa e as particularidades do serviço público de saúde nacional, médicos contratados pela prefeitura daquele município foram dispensados e permanecerão no cargo somente até o final do ano.
A pergunta que se deve fazer é simples: se está sobrando médicos, a ponto de dispensar os antigos profissionais, por que Cambé se cadastrou para o programa da presidente Dilma Rousseff?
A situação em Cambé está causando desconforto na comunidade médica, que desde o começo se declarou contra o programa federal. É importante que a população não se volte contra as profissionais estrangeiras. É recente na memória as cenas horrorosas dos médicos cubanos sendo hostilizados por brasileiros em um aeroporto do Nordeste. Sem falar das agressões e manifestações de racismo que lotaram as redes sociais.
As novas médicas de Cambé devem ser respeitadas pelos colegas e pacientes. Mas a Secretaria Municipal de Saúde precisa justificar objetivamente a demissão dos antigos profissionais.
Há meses os jornais vêm alertando que prefeitos estariam usando o Programa Mais Médicos para aliviar o caixa financeiro dos municípios. A conta é simples: profissionais pagos pelas prefeituras seriam substituídos pelos estrangeiros, cuja remuneração é responsabilidade do governo federal.
O Ministério da Saúde já avisou que irregularidades desse gênero serão punidas com a retirada dos municípios do quadro de beneficiados do Programa Mais Médicos. Substituir os antigos profissionais das prefeituras pelos estrangeiros contradiz o principal objetivo do programa, que é justamente reduzir a carência de médicos no serviço público.

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