Demissão de diretores do Banco Central: um risco silencioso para a economia
Essa independência não é um luxo: ela serve para dar previsibilidade à condução da política monetária
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 05 de setembro de 2025
Essa independência não é um luxo: ela serve para dar previsibilidade à condução da política monetária
Hugo Garbe 
O Congresso Nacional voltou a discutir mudanças na autonomia do BC (Banco Central). Desta vez, com a proposta de facilitar a demissão de seus diretores. À primeira vista, trata-se de um ajuste institucional; na prática, porém, essa medida pode ter impactos profundos sobre a credibilidade da política monetária brasileira.
A autonomia formal conquistada pelo BC em 2021 garantiu mandatos fixos e blindagem contra pressões de curto prazo, aproximando o Brasil das melhores práticas internacionais. Essa independência não é um luxo: ela serve para proteger as decisões técnicas do calendário eleitoral e dar previsibilidade à condução da política monetária.
Ao flexibilizar as condições de demissão, abre-se espaço para ingerência política. Em um ano eleitoral, por exemplo, o governo poderia pressionar por cortes artificiais de juros para estimular a economia, ainda que isso fosse comprometer a estabilidade de preços. O resultado imediato seria a perda de confiança dos investidores, alta do dólar, inflação mais persistente e juros ainda maiores no futuro.
Os efeitos não param aí. A incerteza sobre a condução da política monetária desestimula investimentos, adia projetos e encarece o crédito para famílias e empresas. Em última instância, o custo de fragilizar o Banco Central recairia sobre a economia real, com crescimento mais baixo e menos geração de empregos.
O Brasil já pagou caro em momentos da história em que a política econômica cedeu às pressões eleitorais.
A autonomia do BC foi construída justamente para evitar esse ciclo. Tornar mais fácil a demissão de seus diretores é enfraquecer uma das poucas âncoras de credibilidade conquistadas nos últimos anos. E em economia, quando se perde a confiança, a conta chega rápido e sempre mais cara.
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