Demanda por cursos universitários
A busca por cursos de graduação e qualificação profissional mostra que os brasileiros estão preocupados com o futuro. O crescimento econômico, puxado pelo aumento da renda e pela manutenção do emprego, estimulou o consumo, mas também contribuiu para que os trabalhadores fossem atrás de outro projeto: o ingresso nos bancos universitários.
Pesquisa do Instituto Data Popular, especializado em levantamentos sobre as camadas de renda mais baixa, aponta que o número de universitários no Brasil cresceu 77,1% em 10 anos, atingindo 6,2 milhões de pessoas. No entanto, a informação que mais chama atenção é que 67,7% dos universitários são da classe C e outros 8,1% da D. Também aumentou o percentual de estudantes que são responsáveis pelo sustento da casa: o índice corresponde a 19,4% do total, o que representa 1,203 milhão de pessoas. A maioria dos alunos - 60,4% - tem mais de 23 anos de idade, o que mostra a abrangência do Programa de Financiamento Estudantil (Fies) e o Programa Universidade para Todos (Prouni).
Estes dados mostram claramente que os brasileiros dão importância aos estudos e consideram que esse fator ajudará na busca por um emprego melhor e por um salário mais alto. É importante porque reforça o papel da educação, meio que, sem dúvida, consolidará o crescimento econômico do País e tornará o desenvolvimento sustentável.
Se esse movimento tivesse começado antes, o Brasil não estaria passando pelo chamado ''apagão de mão de obra'', onde muitas empresas têm dificuldades para contratar trabalhadores qualificados. Se falta qualificação, consequentemente falta educação. Essa é a lógica que parece estar sendo revertida. No entanto, é importante lembrar da qualidade da educação oferecida. O assunto não é novo e já foi abordado neste espaço, mas de nada adianta os brasileiros estarem matriculados nas universidades se os cursos não preparam os alunos. Oferecer formação é fácil, o desafio está na melhoria das graduações que preparem os jovens para o mercado de trabalho e estimulem o pensamento. E, nesse sentido, é preciso haver uma sintonia maior entre a academia e o mercado.





