Demagogo ou Dom Quixote?
Já imaginou um dia ler sobre um deputado federal que tenha, em caráter irrevogável, aberto mão de benefícios como suspensão do 14º e 15º salários; reduzido a verba de gabinete em 20% - de R$ 60 mil para R$ 48 mil; reduzido o número de assessorias de 25 para nove; reduzido em mais de 80% a cota de gabinete (de R$ 23.030 para R$ 4.600); recusado auxílio moradia e cota de passagens - por ter casa na Capital Federal? Pois esse personagem existe e está causando constrangimento na Câmara.
José Antônio Reguffe (PDT-DF) tornou-se uma pedra no sapato dos colegas. Aos 38 anos, defende austeridade no Congresso e cobra mais ousadia nos cortes de gastos públicos do governo federal (como redução do número de ministérios e dos cargos de confiança).
Alguns o chamam de demagogo, outros de Dom Quixote. Há quem o acompanhe em algumas medidas.
Segundo a assessoria do parlamentar, a rejeição aos benefícios resultará em economia de mais de R$ 2,3 milhões nos quatro anos de mandato. Ainda de acordo com os cálculos do gabinete, se todos os deputados fizessem o mesmo, a economia seria superior a R$ 1,2 bilhão.
Estudo realizado pela Transparência Brasil, com dados de 2009, mostra que o brasileiro é o que mais paga para manter o Congresso entre oito países pesquisados. Um senador brasileiro custa em termos reais mais de oito vezes do que um francês. Cada deputado brasileiro, por sua vez, custa ao cidadão duas vezes mais do que um norte-americano; 5,5 vezes mais do que um alemão; seis vezes mais do que um francês; e 6,5 vezes mais do que um britânico.
Na Suécia, um dos países mais ricos da Europa, deputados federais vivem em apartamentos funcionais com até 40 metros quadrados, com lavanderia e cozinha comunitárias. Eles não têm direito a secretária e assessores particulares, muito menos a carro com motorista.
Não dá para fazer juízo de valor sobre as razões pelas quais o deputado de Brasília tomou a decisão de abrir mão dos benefícios, mas o resultado é uma clara economia. Está na hora dos nossos Congressistas fazerem jus às verbas que recebem e se portarem como verdadeiros servidores do País.





