Além das promessas
A Nação foi informada esta semana que o governo tem um plano para a retomada do crescimento econômico e que o presidente pretende mobilizar os organismos estatais no suporte aos investimentos do setor privado. É um sinal importante porque revela que finalmente Brasília parece ter entendido a profundidade da crise social produzida pela valorização voluntarista do câmbio e pelas escorchantes taxas de juros que nos foram impostas nos últimos quatro anos.
O aspecto mais dramático da crise social é representado pelos altos níveis de desemprego que só podem ser revertidos com ações de governo que permitam ao setor privado voltar a investir na produção, além do adequado redirecionamento dos investimentos públicos.
Independente das promessas e dos objetivos ambiciosos alinhados no plano de desenvolvimento, o governo dispõe de instrumento para demonstrar ao setor privado a firmeza de seu compromisso com a nova política. A mais urgente providência é a redução das taxas de juros de forma continuada e sem a timidez atual. Sem essa sinalização os investimentos continuarão a patinar, seja para o aumento da produção direcionada ao mercado interno, seja para a ampliação das exportações.
De imediato, é preciso também que o governo reoriente a ação de suas agências econômicas, especialmente o Banco do Brasil, no sentido de ampliar o crédito à produção, favorecendo a recuperação do capital de giro das empresas, destruído pela nefasta política de juros escorchantes. É preciso dar a essas empresas as condições para que elas se libertem do garrote das dívidas e voltem a produzir.
Ao anunciar o plano de desenvolvimento, o presidente procurou motivar os empresários para que retomem os investimentos, ampliando a produção e a oferta de empregos. Mas para que isso ocorra será necessário restabelecer a confiança dos industriais, comerciantes e agricultores, muitos dos quais mal se recuperam das dificuldades desses últimos anos e se ressentem da indiferença e, em certas oportunidades, da forma agressiva com que foram tratados por membros do governo.
Mais do que demonstrações de carinho, o empresariado precisa receber do governo os sinais efetivos de mudança de rumos.
- ANTONIO DELFIM NETTO é deputado federal pelo PPB-SP e presidente da Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara Federal

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