Delfim Netto
Apoio a quem merece
A agricultura foi o único setor da economia que deu algum alento ao país no primeiro semestre. Cresceu entre 4% e 5% a produção de grãos no Centro-Sul em relação à safra de verão do ano passado. É verdade que não houve ampliação da área plantada nem absorção significativa da mão-de-obra dispensada nos últimos anos. É também fato que uma parcela importante do aumento de volume produzido se deve à substituição da cultura de soja pelo milho, mas nada disso desmerece o resultado. Devemos, portanto, tirar o chapéu para os nossos agricultores que mesmo enfrentando todo tipo de dificuldades, com a escassez de crédito, juros extorsivos e a insegurança rondando as propriedades, puseram as velhas máquinas para trabalhar e extraíram da terra o alimento que vai sustentar os brasileiros este ano. É uma questão de justiça reconhecer também o trabalho do ministro Turra e sua equipe, que batalharam dentro do governo para vencer a inércia da equipe econômica para garantir a liberação de recursos, ainda que muito aquém do desejável, para o financiamento da safra 98/99.
Apesar de passar o comando da Agricultura ao novo titular, sr. Pratini de Moraes, a equipe do ministro Turra fez aprovar o plano para financiamento da safra 1999/2000. Prevê a destinação de 13 bilhões de reais para custeio das lavouras, com taxas de juros que variam de 5,75% a 8,75% ao ano. São taxas de juros ainda muito altas se comparadas com as taxas vigentes nos demais Países, nossos concorrentes no mercado agrícola mundial. Nos últimos quatro anos a agricultura brasileira foi fortemente prejudicada pelos equívocos da política econômica, mais ainda do que a indústria nacional e o setor exportador. Ela demonstrou um enorme vigor, conseguindo iniciar um processo de recuperação que merece ser apoiado seriamente pela sociedade e pelo governo.
De que depende essa recuperação? Em primeiro lugar é preciso reduzir substancialmente as taxas de juros, para restabelecer as condições de isonomia dos nossos produtores diante da concorrência mundial. Em segundo lugar é necessário agilizar a liberação dos recursos para custeio, fazendo com que as agências do Banco do Brasil voltem a operar com menos burocracia e sem as exigências absurdas que hoje impedem os agricultores de regularizarem antigas dívidas.
Em terceiro lugar, é preciso facilitar a renovação do parque de máquinas agrícolas, que envelheceu significativamente nos últimos anos por conta do descaso oficial com o setor. Uma parcela importante desse equipamento virou sucata. No momento em que a sobrevivência da agricultura exige a utilização de moderna tecnologia, nossos agricultores são obrigados a taxar o combate, usando uma frota de máquinas cuja vida média é hoje de 12 anos! E quando tentam renovar os equipamentos esbarram em imbatíveis taxas de juros reais.
Há 15 anos, o setor absorvia a comercialização de 40 mil máquinas agrícolas. No ano passado se comemorou com grande êxito a venda de 12 mil máquinas...Por último, é preciso que o governo vá à luta, como está prometendo, para derrubar as barreiras protecionistas que dificultam ou impedem a entrada dos produtos de nossa agroindústria e da agropecuária nos mercados da Eurolândia e da América do Norte e até mesmo, o que é espantoso, em países da América Latina, sem reação à altura.
- ANTONIO DELFIM NETTO é deputado federal (PPB-SP) e presidente da Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara dos Deputados.





