Delfim Netto
Delfim Netto
As tarefas do
Banco do Brasil
Não faz sentido falar em privatização do Banco do Brasil no momento em que ele está sendo mobilizado para enfrentar dois imensos desafios: 1) Financiar as exportações, especialmente das empresas médias e pequenas; 2) Voltar a dar suporte ao setor agrícola, que precisa iniciar este ano um processo de profunda recuperação. A economia brasileira está começando uma travessia bastante delicada, mas com boas perspectivas de reencontrar o rumo do crescimento, na medida em que vai deixando para trás os destroços de uma política cambial terrivelmente equivocada.
A superação dos problemas neste período de transição vai exigir uma verdadeira cruzada para reconquistar o espaço que perdemos no comércio exterior. Com a liberação do câmbio, afastamos o principal obstáculo que impedia a expansão das exportações. Mas é preciso oferecer, aos empresários que se disponham a exportar, os mecanismos de financiamento adequados e o suporte necessário para que eles assumam o risco de ampliar a produção direcionada ao mercado externo. O instrumento de que dispõe o governo para acionar os mecanismos de produção das exportações é o Banco do Brasil, que já demonstrou, no passado, a capacidade de liderar um processo dessa natureza.
A decisão política de engajar o banco no esforço exportador foi confirmado esta semana por seu presidente, o economista Andréa Calabi, quando compareceu à Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara dos Deputados, em Brasília. Ele revelou a disposição do banco de mobilizar a sua rede de agências em todo o País no sentido de localizar as oportunidades e oferecer suporte às empresas com potencial exportador, especialmente na faixa intermediária que abrange as de porte médio e pequeno. Tradicionalmente, o Banco do Brasil participa com 15% a 20% do volume de financiamento das atividades do comércio exterior brasileiro. Em janeiro deste ano, esta participação subiu a 25% e há espaço para expansão.
A boa notícia é que o Banco do Brasil está concluindo a montagem de dispositivos que possibilitem a equalização das taxas de câmbio, reduzindo as incertezas da variação cambial. Este mecanismo estimulará as empresas a dar resposta mais rápida nas suas exportações.
A participação do Banco do Brasil é igualmente indispensável no suporte à atividade agrícola, que nos últimos quatro anos foi sacrificada no altar da estabilidade, como a verdadeira âncora do Plano Real. Durante décadas, o Banco do Brasil financiou a expansão de nossa agricultura, fornecendo um volume de crédito que o levou ao segundo lugar no ranking mundial dos bancos especializados no financiamento das atividades rurais.
Nos anos mais recentes, a agricultura deixou de ser prioridade na política oficial e passou a ser tratada (inclusive no Bancão!) como um cliente indesejável. Felizmente há sinais de mudança, com a presença mais ativa do Ministério da Agricultura na formulação da política este ano e a garantia que o Banco do Brasil voltará a dar suporte amplo ao setor.
A realidade dessa mudança terá que ser testada pelos próprios agricultores e exportadores, procurando as agências do Banco em suas regiões e conversando com os gerentes.
- ANTONIO DELFIM NETTO é deputado federal pelo PPS-SP, presidente da comissão de fiscalização da Câmara e ex-ministro da Fazenda e do Planejamento





